BC projeta déficit nas contas externas para US$ 19,3 bilhões; Ao adotar política liberal, Governos Temer e Bolsonaro fragilizaram capacidade econômica do Brasil

Presidente Jair Bolsonaro e o vice-presidente Hamilton Mourão, a dupla que comanda a desaceleração econômica, com promoção do desemprego estrutural no Brasil.
Presidente Jair Bolsonaro e o vice-presidente Hamilton Mourão, a dupla que comanda a desaceleração econômica, com promoção do desemprego estrutural no Brasil.

O Banco Central (BC) melhorou a projeção para o saldo negativo das contas externas, neste ano de 2019. A previsão para o déficit em transações correntes (compras e vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda do país com outras nações) passou de US$ 30,8 bilhões para US$ 19,3 bilhões.

A estimativa para 2019 corresponde a 1% do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país. A previsão está no Relatório de Inflação, publicação trimestral do BC, divulgado hoje (27/06/2019).

Segundo o BC, a revisão ocorreu devido às perspectivas de desaceleração do crescimento da economia global e a redução na projeção do PIB, de 2%, previstos em março, para os atuais 0,8%. “A alteração incorpora modificações pontuais na composição do déficit, com expectativa de aumento do superávit comercial, e de reduções nas despesas líquidas de renda primária [lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários] e serviços”, acrescenta o BC.

O BC revisou de US$ 40 bilhões para US$ 46 bilhões a estimativa para o superávit comercial neste ano. O déficit da conta de serviços (viagens internacionais, transporte, aluguel de equipamentos, entre outros) está projetado em US$ 31,4 bilhões – US$ 5 bilhões abaixo do previsto no Relatório de Inflação anterior, de março.

Segundo o BC, os pagamentos líquidos de juros estão projetados em US$ 19,4 bilhões, acima da projeção anterior, de US$ 17 bilhões. A projeção para as remessas líquidas de lucros e dividendos foi reduzida de US$ 20,5 bilhões para US$ 17,5 bilhões, “reflexo da menor perspectiva de crescimento econômico e de taxa de câmbio média mais desvalorizada em relação ao ano anterior”. Já os ingressos líquidos da conta secundária foram mantidos em US$ 2,7 bilhões.

Investimento estrangeiro

Quando o país registra saldo negativo em transações correntes precisa cobrir o déficit com investimentos ou empréstimos no exterior. A melhor forma de financiamento do saldo negativo é o Investimento Direto no País (IDP), porque os recursos são aplicados no setor produtivo.

A projeção para os ingressos líquidos de IDP segue em US$ 90 bilhões (4,8% do PIB). Em 2018, foram registrados US$ 88,3 bilhões.

A projeção para os Investimentos Diretos no Exterior foi ampliada de US$ 10 bilhões para US$ 15 bilhões, “influenciada por menores fluxos de desinvestimentos em 2019 em relação ao ano anterior”.

Confiança da indústria cai 1,5 ponto de maio para junho de 2019

O Índice de Confiança da Indústria (ICI), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), caiu 1,5 ponto de maio para junho.

Com a queda, o indicador chegou a 95,7 pontos em uma escala de zero a 200, o menor nível desde outubro de 2018, empatado com o resultado de novembro de 2018.

Em junho, a confiança caiu em nove de 19 segmentos industriais pesquisados pela FGV. A confiança caiu em relação tanto ao presente quanto ao futuro. O Índice de Situação Atual, que mede a satisfação com o presente, diminuiu 1,9 ponto, indo para 96,6 pontos.

Já o Índice de Expectativas, que mede a confiança no futuro, caiu em 1,1 ponto, para 94,8, o menor desde agosto de 2017 (94,1 pontos).

Segundo o pesquisador da FGV Aloisio Campelo Jr., as perspectivas de aceleração da atividade “são ainda tímidas e insuficientes para alterar o ímpeto declinante de contratações pelo setor”.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) do setor foi de 75,3% em maio para 75% em junho.

Perda de competitividade

Ao adotar política liberal, Governos Temer e Bolsonaro fragilizaram capacidade econômica do Brasil, contribuindo para redução da atividade econômica e ampliação do desemprego estrutural.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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