Em audiência pública realizada nesta segunda-feira (02/07/2019), o ex-juiz Sérgio Moro foi sabatinado pelos deputados federais sobre as denúncias de parcialidade e descumprimento da lei em sua condução na Lava Jato. Um dos 65 parlamentares que participaram da audiência com o atual ministro da Justiça, o deputado federal Afonso Florence (PT-BA) apontou as contradições de Moro e cobrou respostas sobre as denúncias de perseguição ao atual senador Jaques Wagner (PT-BA) pela Lava Jato. Florence, que esteve à frente da Secretaria de Desenvolvimento Urbano durante a primeira gestão de Wagner, demonstrou indignação sobre a possível condução política pelos procuradores para incidir no processo eleitoral de 2018 e pediu o afastamento do ex-juiz do Ministério.
Afonso perguntou sobre veracidade da mensagem entre o procurador Dallagnol e uma procuradora, sobre a realização de uma busca e apreensão na casa de Wagner, poucos antes do segundo turno. “A procuradora pondera que já tinha ocorrido essa busca e apreensão, mas ele insiste e diz ‘isso é urgentíssimo, tipo agora ou nunca kkkk’. Vocês riram da República? Vocês riram do devido processo legal?, questionou.
Florence enfatizou a contradição de Moro ao dizer que as conversas entre ele e os procuradores da Lava Jato foram hackeadas, mas que não haveria problema nos seus conteúdos. “São verdadeiras as mensagens de Vossa Excelência com o procurador Deltan Dallagnol, na qual o senhor o aconselha a não prosseguir na investigação em relação ao Instituto FHC e ao ex-presidente Fernando Henrique, a título de que ele seria melindrado com isso?”, questionou o deputado, acrescentando que nem ia considerar a pública amizade de Moro com correligionários do ex-presidente. “Fotos e congraçamentos é do seu direito na vida privada, apesar de que aumenta a suspeição sobre a sua conduta”.
O deputado do PT baiano denunciou a quebra da parcialidade na condução do ex-juiz da Lava Jato, e perguntou se naquela ocasião Moro já havia sido convidado pelo atual ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, a quem ele inocentou do crime de caixa dois em declarações na imprensa, para ser ministro de Bolsonaro. “É verdade, está sob suspeição a sua condução do inquérito. Mas, hoje, Vossa Excelência pôs sob suspeição a Lava Jato. Vocês tentaram fraudar a eleição no Brasil. Por isso vocês têm que ser investigados e o senhor tem que ser demitido do Ministério da Justiça”, defendeu.
A audiência que convidou o atual ministro da Justiça foi realizada, na última terça-feira (2), em conjunto pelas Comissões de Constituição e Justiça, Direitos Humanos e Minorias e de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara.
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