
A Boeing divulgou centenas de mensagens internas que continham comentários bastante críticos sobre o desenvolvimento do 737 MAX, incluindo um que dizia que o avião foi “projetado por palhaços que, por sua vez, são supervisionados por macacos”.
As mensagens, divulgadas nesta quinta-feira (09/01/2020), mostram tentativas de evitar o escrutínio regulatório com funcionários menosprezando o avião, a empresa, a Administração Federal de Aviação norte-americana (FAA, na sigla em inglês) e reguladores estrangeiros de aviação.
Em uma troca de mensagens instantâneas em 8 de fevereiro de 2018, quando o avião estava no ar e oito meses antes do primeiro de dois acidentes fatais, um funcionário pergunta a outro: “Você colocaria sua família em uma aeronave treinada no simulador MAX? Eu não”. O segundo funcionário responde: “Não”.
O 737 MAX está suspenso desde março, depois de um voo da Ethiopian Airlines ter caído, apenas cinco meses após um acidente semelhante com a Lion Air. Os dois desastres mataram 346 pessoas.
Em particular, algumas das comunicações revelam esforços da Boeing para evitar a necessidade de treinamento em simulador de pilotos – um processo caro e demorado – para o 737 MAX.
A fabricante de aviões mudou apenas esta semana, dizendo que recomendaria aos pilotos o treinamento em simulador antes de retomar o voo do 737 MAX – uma grande mudança de sua posição de que o treinamento em computador era suficiente, pois o avião era semelhante ao seu antecessor, o 737 NG.
O divulgação das mensagens, que destacam uma cultura agressiva de corte de custos e desrespeito à FAA, deve aprofundar a crise na Boeing, que está lutando para recuperar seu avião mais vendido e restaurar a confiança do público.
*Com informações de David Shepardson, da Agência Reuters.










