Revista The Economist observa que Governo Bolsonaro avança na economia, mas que ocorreu abandono do meio ambiente, combate à corrupção e ampliação da desigualdade social

The Economist publica análise ‘Primeiro ano contencioso de Jair Bolsonaro no cargo’.
The Economist publica análise ‘Primeiro ano contencioso de Jair Bolsonaro no cargo’. Para a Economist, Bolsonaro foi eleito “porque eleitores estavam traumatizados com a pior recessão da história do país, pela criminalidade e pelas revelações de corrupção”.

Em artigo publicado nesta quinta-feira (02/01/2020) em sua edição impressa, a revista britânica The Economist diz que, embora considere ter havido avanços na economia brasileira neste ano, o governo Jair Bolsonaro vem ameaçando as instituições democráticas e promovendo retrocessos na área ambiental e no combate à corrupção.

A revista diz que Bolsonaro foi eleito “porque eleitores estavam traumatizados com a pior recessão da história do país, entre 2014 e 2016, pela criminalidade e pelas revelações de corrupção nos mais altos níveis da política e do empresariado”.

Segundo a revista, os eleitores esperavam que Bolsonaro trouxesse prosperidade, paz e probidade ao Brasil, mas, depois de um ano de governo, eles só conseguiram “parte do que queriam”.

A revista diz que o número de homicídios no país diminuiu, mas afirma que isso ocorreu em grande medida porque os conflitos entre fações criminosas esfriaram, e que Bolsonaro abandonou o combate aos crimes de colarinho branco.

“Em vez de fortalecer as instituições democráticas do Brasil, ele (Bolsonaro) as está testando. No que diz respeito a corrupção e meio ambiente, o Brasil ou travou ou está andando para trás”, afirma a Economist.

Previdência como ponto positivo

Para a revista, o maior feito de Bolsonaro em 2019 foi a aprovação da reforma da Previdência, que, segundo a Economist, “ajudará a desarmar uma armadilha que o Brasil montou contra si mesmo ao pagar benefícios fartos a pessoas que, na média, se aposentam por volta dos 55 anos”.

A medida, segundo a Economist, ajudou a restabelecer a confiança na economia, colaborando para a redução da taxa de juros ao seu menor nível em 33 anos. A revista diz que, em 2020, a economia brasileira deve crescer “ao menos 2%, bem acima da média latino-americana”.

A revista elogia bandeiras do ministro da Economia, Paulo Guedes, como a defesa da privatização de empresas públicas, a simplificação de impostos e a transferência de poder e dinheiro para Estados e município.

Mas a publicação afirma que Bolsonaro parece ter adotado as ideias econômicas de Guedes apenas “por enquanto”, e que suas posições em outros campos “não podem ser simplesmente ignoradas, ainda que o Congresso e os conselheiros mais equilibrados do presidente tenham até agora contido seus piores instintos”.

“Enquanto ele continuar a apoiar a violência policial, há poucas chances de estancar sua tendência de alta”, diz a revista, citando uma das posições do presidente que considera condenável.

Em outro ponto, a Economist cita uma coletiva de imprensa em dezembro na qual Bolsonaro disse a um repórter que ele tinha “uma cara de homossexual terrível”.

O texto critica, ainda, a postura do governo quanto ao combate à corrupção. A revista diz que o ex-juiz e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, “foi comprometido por revelações de sua proximidade imprópria com procuradores” quando julgava as ações da Operação Lava Jato.

A revista também menciona denúncias de que o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente, “embolsou dinheiro pago a funcionários quando era um deputado estadual e tem laços com ‘milícias’ homicidas de ex-policiais”.

Por fim, a Economist critica as atitudes do governo quanto ao meio ambiente, citando dados que apontaram uma alta de 80% nos alertas de desmatamento na Amazônia nos 11 primeiros meses de 2019 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

“Bolsonaro demitiu o chefe da agência espacial após ela reportar dados desfavoráveis de desmatamento, esvaziou agências de controle ambiental e incitou fazendeiros e madeireiros que tacaram fogo para limpar a terra”, diz a Economist, referindo-se à saída do diretor do Instituto de Pesquisas Espaciais, Ricardo Galvão.

A revista conclui que “se Bolsonaro transformar a economia, os brasileiros terão razões para serem gratos. Mas eles, e o mundo, terão pago um preço alto e desnecessário”.

*Com informações da BBC News e The Economist.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.



Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading