
O Brasil é um país extremamente desigual, mas nunca foi muito melhor ou pior do que é hoje. Esta é uma das conclusões de ‘Uma história da desigualdade: a concentração de renda entre os ricos no Brasil (1926-2013)’, obra de autoria Pedro H. G. Ferreira de Souza, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). A obra foi publicada em 2018, pela editora Hucitec.
A obra é a adaptação da tese de doutorado do pesquisador, premiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e pela Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANAPOCS) em 2017 e aclamada entre estudiosos do tema. O sociólogo Celso Rocha de Barros, por exemplo, chamou “Uma história de desigualdade” de “o melhor trabalho produzido pelas ciências sociais no país nos últimos anos”.
Além de analisar a desigualdade no Brasil por um longo período, a obra de Ferreira de Souza tem inovações. O pesquisador seguiu uma tendência recente no mundo de utilizar dados do imposto de renda para ajudar a medir a concentração de renda entre os muito ricos – o principal foco do estudo. No passado, se utilizava apenas pesquisas por amostragem como a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), que têm dificuldades de medir a renda no topo da pirâmide.
Ao comentar sobre a obra, o jornalista Marcelo Medeiros avalia que:
― A história da desigualdade de Pedro Ferreira de Souza é uma história dos ricos. Faz sentido olhar para o topo: uma parte imensa da renda está lá. Por essa razão, toda flutuação na renda dos ricos tem um peso desproporcional na evolução da distribuição total. Quando a concentração é muito alta, os ricos conduzem a dança. Conduzem, mas não ditam como deve ser o baile.
— Este livro encaixa uma peça importante no quebra-cabeças da história econômica brasileira. Com ele, aprendemos sobre quem ganhou mais e quem ganhou menos em quase um século de desenvolvimento. Trata-se do resultado de um trabalho cauteloso, que envolveu uma coleta de dados atenta, selecionou as informações mais precisas e usou as melhores ferramentas, a fim de apresentar a série histórica mais longa e completa sobre a desigualdade no Brasil.
*Com informações do Nexo Jornal.







