Vereadores criticam PPP do Shopping Popular de Feira de Santana

Roberto Tourinho: vocês vão ter que comprar o produto na mão dos chineses, vender e pagar o aluguel do espaço com valores exorbitantes. Então, vocês devem resistir bravamente nesta luta.
Roberto Tourinho: vocês vão ter que comprar o produto na mão dos chineses, vender e pagar o aluguel do espaço com valores exorbitantes. Então, vocês devem resistir bravamente nesta luta.

O vereador Roberto Tourinho (PV) voltou a utilizar a tribuna da Câmara Municipal de Feira de Santana, na sessão ordinária desta quarta-feira (19/02/2020), para criticar a Parceria Público-Privada (PPP) entre a Prefeitura e empresários que estão construindo e implantando o Shopping Cidade das Compras, o Shopping Popular de Feira de Santana.

Roberto Tourinho mencionou duas ações movidas contra a Prefeitura e entidades envolvidas na implantação do empreendimento, a primeira foi uma ação popular apresentada pelo advogado Rodrigo Lemos, que solicitou a suspensão do contrato alegando a existência de cláusulas que desfavorecem os vendedores ambulantes. A segunda, e mais recente, foi executada pela Defensoria Pública da Bahia, e também solicita a suspensão do contrato, tratando sobre o “ato lesivo ao patrimônio artístico, estético histórico ou turístico no município de Feira de Santana”.

O parlamentar alertou os vendedores ambulantes sobre as novas condições de trabalho que irão se submeter, caso o contrato não seja suspenso. “Vocês sempre foram patrões e trabalhavam para vocês mesmos. Vocês iam às ruas vender os produtos como acontece no restante do país, mas, com a construção desse Shopping Popular, vão deixar a condição de patrão e vão ser empregados do empresário que está à frente desta obra. Vocês vão ter que comprar o produto na mão dos chineses, vender e pagar o aluguel do espaço com valores exorbitantes. Então, vocês devem resistir bravamente nesta luta!”, afirmou o edil

Ele ainda demonstrou preocupação com a estrutura física do local, após ter conhecimento de que as fortes chuvas do início do ano causaram pontos de alagamento dentro do empreendimento. “A minha preocupação é que choveu mais dentro do Shopping Popular do que por fora, parecia um dilúvio em decorrência da fragilidade da obra”, declarou o edil.

Alberto Nery volta a criticar Shopping Popular

o vereador Alberto Nery (PT) teceu críticas ao Município, principalmente ao Shopping Popular.

‘Temos aqui alguns vereadores que foram da gestão passada. Está sob judice, um pedido para que sejam retiradas do contrato do Shopping Popular cláusulas que não ‘cabem no bolso’ do ambulante. Isso é consequência do Pacto da Feira e vamos ficar atentos ao desenrolar. Isso não é discurso político, é a realidade. Quem está nas ruas vendendo, buscando sobreviver, não vai ter condição de pagar o que estão cobrando. Hoje, ao vir para cá, tinha um grupo de motoristas de vans, excluídos da licitação, que estavam rodando com permissão de liminar, mas tiveram seus veículos retidos pelo Município”, pontuou Nery.

E continuou. “Empresários de ônibus dizem que estão quebrados; BRT que nunca funciona. Se a Comissão de Obras desta Casa visitasse as ‘casinhas de pombo’ do BRT, viria que estão destruídas, não têm como funcionar em breve; há uma parceria para três ônibus adaptados atuarem no BRT. Estamos vendo tudo isso acontecer e temos que ficar calados porque somos oposição? É o dinheiro público sendo jogado fora. Colbert tem se esforçado porque pegou um abacaxi grande e está tentando descascar”, disse.

Em aparte, o edil Edvaldo Lima (PP) disse que sempre foi contra a parceria para a construção do Shopping Popular. “Entendo que este empreendimento deveria ser construído pela Prefeitura, porque assim não teríamos problemas com Elias. Até outro empreendimento poderia da certo, mas o Shopping Popular não. Agora estamos vendo a angústia de comerciantes que não sabem como vão pagar os valores que serão cobrados. Até sugeri a isenção de valores e que depois de um tempo fosse cobrado a eles um valor irrisório, mas infelizmente não fui atendido”, lamentou.

Para finalizar, Nery afirmou que o projeto inicial do Pacto da Feira era em benefício do povo. “Todos iriam continuar ganhando a vida da forma que estão e pagando pouco, mas no final o projeto não alcançou esta finalidade. O objetivo desse Shopping Popular é beneficiar um empresário, que não está nem um pouco preocupado com o povo. Chegou em audiência pública aqui debochando da cara de todo mundo. Nós sabemos muito bem quem ele é”, findou.


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