Justiça do Rio de Janeiro retoma investigação sobre senador Flávio Bolsonaro

Senador Flávio Bolsonaro.
Senador Flávio Bolsonaro.

A Justiça do Rio de Janeiro decidiu retomar nesta segunda-feira (23/03/2020) a investigação sobre o senador Flávio Bolsonaro por supostos crimes ligados à prática que ficou conhecida como rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), informou o Tribunal de Justiça fluminense.

O processo havia sido paralisado esse mês a pedido da desembargadora Suimei Cavelieri, mas nesta segunda-feira ela decidiu retomar a apuração.

“A investigação vai prosseguir”, informou o TJ.

A investigação sobre Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, por crimes de peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro corre em segredo de justiça.

A desembargadora argumentou que com o avanço do coronavírus as sessões de julgamento estão suspensas até o fim do mês e, por isso, ela decidiu dar sequência ao processo.

A defesa de Flávio Bolsonaro afirmou que não iria se pronunciar por que o caso está em segredo de justiça, mas o advogado Frederick Wassef afirmou à Reuters que “causa estranheza como as decisões de processo vazam com frequência no Rio de Janeiro”.

“É sempre em tempo real e isso prejudica meu cliente Flávio Bolsonaro. Há uma perseguição contra meu cliente no Rio de Janeiro “, afirmou ele.

O senador Flávio Bolsonaro passou a ser investigado depois que o extinto Coaf descobriu movimentação financeira atípica na conta do chefe de gabinete o ex-deputado fluminense, o ex-PM Fabrício Queiroz. Em um ano foram movimentados mais de 1 milhão de reais.

Ele é suspeito de recolher parte do salário de funcionários do gabinete de Flávio, quando era deputado estadual, e destinar os recursos ao parlamentar, prática que ficou conhecida como rachadinha. Outros deputados da Alerj também são alvos de investigações de rachadinha. Flávio e Fabrício negam irregularidades e crimes.

Relembre o caso

A investigação foi iniciada no final de 2018, a partir de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontava suspeitas de “rachadinha” nos gabinetes de alguns deputados da Alerj, entre eles o de Flávio Bolsonaro.

“Rachadinha” é o nome dado a um tipo de desvio em que um parlamentar coleta parte do salário dos servidores nomeados por ele para si ou para outras finalidades.

Segundo o relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), Fabrício Queiroz, ex-chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro, possuía movimentações financeiras incompatíveis com a sua situação econômica. A suspeita era de que Queiroz fosse o responsável por coletar recursos para o então deputado estadual. Flávio Bolsonaro nega todas as acusações.

*Com informações do Estadão e de Rodrigo Viga Gaier, da Agência Reuters.


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