Sérgio Moro pulou do navio antes do ‘Titanic afundar de vez’, diz Amy Erica Smith analista estadunidense; Ex-ministro acusou presidente Jair Bolsonaro de práticas criminais

Criando atritos públicos, extremista Jair Bolsonaro elimina apoiadores que não seguem a ordem unida. Com senso de oportunismo aguçado, Sérgio Moro lançou estratégia para derrubar presidente da República.
Criando atritos públicos, extremista Jair Bolsonaro elimina apoiadores que não seguem a ordem unida. Com senso de oportunismo aguçado, Sérgio Moro lançou estratégia para derrubar presidente da República.

Sergio Moro, agora ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, ao se demitir em frente às câmeras de TV, “pulou do navio antes que esse Titanic afunde de vez”, avalia a cientista política estadunidense Amy Erica Smith.

Smith é professora da Iowa State University, nos Estados Unidos, e especialista em política brasileira e movimentos evangélicos, diz acreditar que Moro esteja genuinamente preocupado com o Estado de Direito no Brasil ao afirmar que seu ex-chefe, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), está tentando politizar o comando da Polícia Federal (PF).

E que ele não descuidou de sua própria imagem, ao decidir não apenas pedir demissão, mas transformar a saída quase em uma denúncia das ações recentes de Bolsonaro.

Em entrevista por telefone à BBC News Brasil, Smith questiona a “urgência de Bolsonaro” em interferir na PF em um momento político já frágil, em meio à pandemia de coronavírus.

Autora de Religião e Democracia Brasileira: Mobilizando o Povo de Deus, lançado em 2019, ela afirma que os evangélicos seguem como a base do apoio popular do presidente, graças à agenda anti-aborto e às políticas de gênero e sexualidade que o governo defende.

“Mas, se todas as elites políticas abandonarem Bolsonaro, eles também o abandonarão. Não vão dar um cheque em branco para Bolsonaro”, diz Smith.

Antigos fiéis, empresários reveem apoio ao governo de Jair Bolsonaro

Diversos empresários, muitos dos quais formam a cadeia dos principais apoiadores do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), estão desiludidos com o pedido de demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça, e das recentes intervenções do ministro da Casa Civil, o general Braga Netto, sobre a economia – escanteando Paulo Guedes, ministro da Economia. Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan, é um deles. Em entrevista a VEJA, externou a sua preocupação com a mudança: “O Moro era uma das pérolas do governo. Eu sempre o apoiei, por tudo que ele fez pelo Brasil. Ele é um herói vivo”, disse. “É uma grande perda para o governo Bolsonaro.”

Eles acreditam que o projeto engendrado por Braga Netto é perigoso e, caso confirmado, pode levar o governo ao caminho do ‘desenvolvimentismo’, estratégia usada por governos populistas de crescimento a qualquer custo. “O ministro Paulo Guedes faz um bom trabalho. Eu acredito que, neste momento em que estamos vivendo, nós temos que ter a capacidade de reduzir a máquina pública e acreditar no setor privado. Sou contra a máquina pública voltar a fazer um movimento desenvolvimentista, a criar uma política que era empregada pela Dilma. Já vimos que isso não dá certo”, disse a VEJA Luciano Hang, enquanto visitava a obra de uma futura unidade da Havan a ser inaugurada na cidade de Gravataí (RS).

Extremista de direita, deputada Carla Zambelli questiona mensagens divulgadas pelo ex-ministro Sérgio Moro

Extremista de direita deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) publicou carta aberta ao ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, após o vazamento de conversas entre os dois para a imprensa. Na carta, divulgada no site da deputada na manhã deste sábado (25/04/2020), Zambelli se diz decepcionada e magoada com Moro e questiona se o ex-juiz calculou as respostas para expô-la.

“Fica o questionamento para um homem ao qual eu e meu marido tínhamos o maior respeito e admiração, tanto que foi nosso padrinho de casamento: Ex-ministro, a resposta que o Sr deu e o print foram friamente calculados para me expor depois?”, escreveu a deputada.

Moro vazou trechos de conversas que manteve com o presidente da República, Jair Bolsonaro, e com Zambelli, na sexta-feira (24/04/2020), após pedir demissão do cargo de ministro. As imagens das conversas foram divulgadas pelo Jornal Nacional, da TV Globo, e mostram diálogos sobre a troca no comando da Polícia Federal.

Carta aberta de Carla Zambelli a Sérgio Moro

A respeito do vazamento da conversa privada feita pelo ex-ministro Sérgio Moro comigo, deputada Carla Zambelli, para o Jornal Nacional, venho a público afirmar:

Uma vez dito que: os 57 milhões de votos que Bolsonaro obteve não carregam qualquer apoio de Sérgio Moro, que sequer estava no jogo à época da campanha eleitoral;

que meu apoio não muda há anos em relação ao PR Jair Bolsonaro, e que assim permanecerei, leal:

Não se vazam conversas privativas. Principalmente quando há laços entre estas pessoas.

Eu sempre defendi os ideais tanto de Bolsonaro, como de Moro, por quem já fui presa e denunciada pela Polícia Federal, o que, inclusive, falo nos prints divulgados e no contexto geral da conversa.

A sugestão feita, ainda na quinta-feira (23), ao então ministro era a de que eu pudesse conversar com o presidente da República para tentar sugerir o nome de Sérgio Moro para o STF, uma vez que milhões de brasileiros, inclusive eu, no passado, já se posicionaram favoráveis nesse sentido, e ele nunca negou o interesse em ser indicado.

Ramage era um nome bem aceito pelo então ministro (publicamente dito no pronunciamento desta sexta – 24) e pelo presidente Jair Bolsonaro.

Seria a intenção de Sérgio Moro tentar me imputar injustamente um crime ao expor à Globo nossa conversa privada, sem o contexto no qual chegaram àquela fase da troca de mensagens, mesmo ele sabendo que não havia nada de ilícito no que conversamos?

Não existe raiva, mas decepção e mágoa, uma vez que, apesar de nunca ter pensado em deixar a base de apoio do Governo Federal, não se podia esconder a tristeza, nesta sexta, em não ter mais Sérgio Moro como ministro.

Registro que não tenho o poder ou a função delegada pelo PR para negociar cargos no STF e o ex-ministro sabia bem deste fato.

Fica o questionamento para um homem ao qual eu e meu marido tínhamos o maior respeito e admiração, tanto que foi nosso padrinho de casamento: Ex-ministro, a resposta que o Sr deu e o print foram friamente calculados para me expor depois?”.

Carla Zambelli mostra mensagens e diz que Moro queria ser indicado ao STF

A deputada Carla Zambelli mostrou à CNN novos prints de conversas dela com o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, para tentar justificar as mensagens veiculadas por ele, nas quais ela se oferecia para intermediar uma negociação com o presidente Jair Bolsonaro para uma vaga no STF.

“A gente vê aqui que eu estou desprovida de má intenção e eu gostaria muito de saber se ele já estava fazendo prints [da tela] porque essa frase é muito calculada e parece que foi friamente colocada ali”, disse a parlamentar sobre a resposta do ministro: “Prezada, não estou à venda”.

“Não é isso que se responde quando uma pessoa diz que quer te ajuda a ir ao STF, quando diz ‘nós queremos o senhor no STF’”, continuou. “A resposta dele não combina com nada do que a gente está conversando. Parece que foi tudo muito mal intencionado da parte dele, querendo achar algo para provar depois.”

Zambelli disse que não é novidade o ex-ministro querer ir para o Supremo. “Tanto é que a imprensa já falou sobre isso, no Twitter já teve Trending Topic falando ‘Moro no STF’”, disse ela.

“Ou seja, não é algo que eu trouxe do nada. É uma conversa que se tem em Brasília desde que o ministro entrou [no governo]. Ontem ele deixou claro que o presidente não prometeu essa vaga para ele, mas é claro, todo mundo esperava que o ministro Moro, que foi o juiz da Lava Jato, em algum momento fosse pro Supremo”, afirmou Carla à CNN.

*Com informações da BBC News Brasil, Fórum, Revista Veja e os jornais Estadão e Folha de S.Paulo.

Mensagens de Carla Zambelli trocadas com ex-ministro Sérgio Moro, em que aborda cargo de ministro no STF.
Mensagens de Carla Zambelli trocadas com ex-ministro Sérgio Moro, em que aborda cargo de ministro no STF.
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