MPBA e Polícia Civil deflagram Operação Fariseu objetivando prender líder religioso Jair Tércio Cunha por violência de gênero

Ministério Público da Bahia deflagrou a Operação Fariseu.
Ministério Público da Bahia deflagrou a Operação Fariseu.

O Ministério Público da Bahia (MPBA) realizou na manhã desta quinta-feira (17/09/2020), a Operação Fariseu, que busca cumprir um mandado de prisão preventiva contra o líder religioso Jair Tércio Cunha, de Salvador. O “guru espiritual” foi denunciado por violência de gênero, violação sexual mediante fraude, estupro de vulnerável (uma das vítimas tem 16 anos e outra fez 18 este ano) e lesão corporal por ofensa à saúde mental contra quatro vítimas. A operação conjunta dos Grupos de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e de Defesa da Mulher e da População LGBT (Gedem) do MP e da Secretaria de Segurança Pública e Polícia Civil, por meio do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom)  e da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços nos quais o denunciado exercia suas atividades, com o objetivo de obter novas provas.

De acordo com a coordenadora do Gedem, promotora de Justiça Sara Gama, “os crimes são agravados por terem sido cometidos no âmbito doméstico, dada a relação de afetividade formada entre o autor do fato e essas vítimas”. O Gedem foi acionado pela ouvidoria das mulheres do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que relatou 14 mulheres acusaram o denunciado de crimes de natureza sexual, o que levou o MP a instaurar o procedimento investigativo que analisou as provas que embasaram a denúncia. A promotora afirmou ainda que o acusado “adota essas práticas delituosas há anos e, como continua em atividade religiosa, a sua prisão preventiva foi decretada para proteger as vítimas e evitar o eventual cometimento de novos crimes”. Sara Gama destacou que o MP possui dois canais para denúncias de eventuais vítimas, o e-mail gedem@mpba.mp.br e o telefone 08006424577.

A promotora de Justiça Márcia Teixeira, que ficou responsável pelo caso e colheu o depoimento das vítimas, afirmou que o sigilo foi pedido por elas com base no “fundado temor”, por parte das vítimas em relação ao acusado e a alguns dos seus seguidores. Até agora, a promotora já ouviu nove vítimas e seis testemunhas, algumas das quais foram vítimas no passado. “Os crimes cometidos contra essas testemunhas já prescreveram, mas serviram para nos mostrar a consistência da prática criminosa por parte do acusado, que já adotava o mesmo método há mais de 30 anos”, frisou Márcia Teixeira. Nove mulheres ainda serão ouvidas sobre o caso.

A denúncia apresentada hoje pelo MP se baseou em investigação que mostrou “veementes indícios de cometimento de crimes de violência de gênero”. De acordo com as apurações, o investigado se autoproclamava um ser iluminado e se inseria em ambientes sociais, onde fazia um trabalho preliminar, rotulado como “despertar do ser humano”, para, então, aproveitando-se da relação de confiança adquirida e submeter as vítimas a atos de violência de ordem sexual, moral e psicológica.

Também participaram da coletiva  os promotores de Justiça Aroldo Almeida e Clarissa Diniz, integrantes do Gaeco; além da delegada do Deam, Izabella Chamadoiro.

*Com informações do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA).


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.