A pneumonologista e pesquisadora da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) Margareth Dalcolmo, de 65 anos, foi entrevista por Marcia Disitzer do Yahoo Notícias e comentou sobre expectativa com relação às vacinas, impacto da pandemia na rotina e o que espera para 2021.
Confira trechos da entrevista
— Qual é a expectativa que podemos ter em relação às vacinas?
No Brasil, estamos testando cinco vacinas em fase três (Oxford, Pfizer, Johnson & Johnson, Sputnik V e CoronaVac). E tem ainda uma sexta, a BCG para Covid-19, da qual sou a coordenadora principal no país, ao lado do professor Julio Croda. Uma vez aprovadas, caímos numa outra grande complexidade que é a logística. O Brasil é um país enorme, com áreas de pouco acesso. Mas vale ressaltar que temos uma espetacular experiência acumulada graças ao Programa Nacional de Imunização. Quando me perguntam: “Qual vacina a senhora vai tomar?” Respondo: “A primeira que aparecer”. Procuro desconstruir o preconceito e a ignorância que pairam sobre a CoronaVac. Todas as vacinas têm componentes da China. Já o movimento antivacina, classifico como uma maldição, é semicriminoso.
— O que mudou na rotina a partir da epidemia?
A minha rotina já era tradicionalmente longa. Trabalhava cerca de 12 horas por dia e passei para 14, 15 horas diárias. Acordo antes das 6h por que muitas consultas de pacientes com Covid-19 são feitas por vídeo, bem cedinho. O que aumentou, sobretudo, foi a disponibilidade. Em cerca de uma hora, enquanto estou falando com você, entraram 51 mensagens no meu WhatsApp. A epidemia também me proporcionou uma relação ainda mais próxima com os pacientes. Muitos dos que foram internados disseram: “Doutora, quero falar com o meu advogado, mudar meu testamento, formalizar a minha união”. E coube a mim providenciar, ajudar. As pessoas ficam muito sós, sentem medo diante da doença. Os meus cabelos brancos surgiram nos últimos seis meses, resultado da pandemia.
— O que a senhora espera de 2021?
Darei um exemplo histórico: depois da peste do século XIV, veio o Renascimento. Que sejamos capazes de um pequeno renascimento. Precisamos sair disso convencidos de que a ciência tem que servir para melhorar as relações humanas.
Share this:
- Click to print (Opens in new window) Print
- Click to email a link to a friend (Opens in new window) Email
- Click to share on X (Opens in new window) X
- Click to share on LinkedIn (Opens in new window) LinkedIn
- Click to share on Facebook (Opens in new window) Facebook
- Click to share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp
- Click to share on Telegram (Opens in new window) Telegram
Relacionado
Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)
Subscribe to get the latest posts sent to your email.




