PIB de 2020 fecha com queda de 4,1%, revela pesquisa do IBGE; Serviços recuaram 4,5% e a indústria, 3,5%

O Produto Interno Bruto (PIB) do país caiu 4,1% em 2020, totalizando R$ 7,4 trilhões. Essa é a maior queda anual da série iniciada em 1996 e interrompeu o crescimento de três anos seguidos, de 2017 a 2019, quando o PIB (a soma de todas as riquezas produzidas no país) acumulou alta de 4,6%.

O PIB per capita alcançou R$ 35.172 no ano passado, recuo recorde de 4,8%. No quarto trimestre, que fechou o resultado de 2020, o PIB cresceu 3,2%. Os dados são do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais, divulgado hoje (03/03/2021), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, o resultado é efeito da pandemia de covid-19, quando diversas atividades econômicas foram parcial ou totalmente paralisadas para controle da disseminação do vírus. “Mesmo quando começou a flexibilização do distanciamento social, muitas pessoas permaneceram receosas de consumir, principalmente os serviços que podem provocar aglomeração”, disse.

Perspectiva da produção

O IBGE divide a atividade econômica em três setores: agropecuária, indústria e serviços. A agropecuária foi o único que cresceu no ano passado, com índice de 2%. A indústria caiu 3,5%, e os serviços, 4,5%.

O setor de serviços, que na estatística do IBGE inclui tanto o comércio como bares, hotéis e restaurantes, entre outros, representa cerca de 70% do PIB e é justamente o mais afetado pelas medidas de isolamento.

O subsetor em que estão os hotéis, restaurantes e academias teve queda de 12,1%.

Perspectiva do consumo

Os efeitos da pandemia também são visíveis pela perspectiva dos gastos. O consumo dos brasileiros caiu 5,5% no ano, em consequência da pior situação no mercado de trabalho e da necessidade de distanciamento social.

Sem os programas de apoio financeiro às famílias (auxílio emergencial) durante a pandemia, a queda certamente teria sido ainda maior.

O governo também gastou menos, segundo o IBGE uma queda de 4,7%, devido ao fechamento de universidades, escolas, museus e outras instituições.

A queda do PIB não foi uniforme ao longo do ano. A queda de 2,1% no primeiro trimestre e o tombo recorde de 9,2% no segundo trimestre foram seguidos de recuperações, de 7,7% no terceiro trimestre e de 3,2% no quarto.

Mas a recuperação desacelerou e não foi suficiente para colocar a economia brasileira no patamar de antes da pandemia. Segundo o IBGE, o PIB do quarto trimestre está 1,2% abaixo do mesmo período de 2019.

Famílias

Na comparação com o ano anterior, todos os componentes relativos à demanda caíram em 2020. O consumo das famílias teve o menor resultado da série histórica (-5,5%). Conforme a coordenadora de Contas Nacionais, isso pode ser explicado, principalmente pela piora no mercado de trabalho e a necessidade de distanciamento social.

O consumo do governo recuou 4,7% e também foi recorde. O motivo é o fechamento de escolas, universidades, museus e parques ao longo do ano. Depois de uma sequência positiva de dois anos, os investimentos – a Formação Bruta de Capital Fixo – caíram 0,8%. A balança de bens e serviços registrou queda de 10% nas importações e 1,8% nas exportações.

Retração nos serviços

Os serviços recuaram 4,5% e a indústria, 3,5%. Segundo o IBGE, esses dois setores somados representam 95% da economia nacional. Já a agropecuária teve alta de 2,0%.

O menor desempenho dentro dos serviços foi o de outras atividades de serviços com retração de 12,1%. Nelas, estão incluídos os restaurantes, academias e hotéis. De acordo com Rebeca Palis, os serviços prestados às famílias foram os mais afetados negativamente pelas restrições de funcionamento.

“A segunda maior queda ocorreu nos transportes, armazenagem e correio (-9,2%), principalmente o transporte de passageiros, atividade econômica também muito afetada pela pandemia”, explicou.

Ainda no setor de serviços, as atividades de administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social registraram recuo de 4,7%, o comércio de 3,1%, informação e comunicação de 0,2%. As atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados tiveram movimento diferente em 2020 e subiram 4,0%, como também as atividades imobiliárias com alta de 2,5%.

Na indústria, o destaque negativo da queda de 3,5% foi o desempenho da construção (-7,0%), que voltou a cair depois da alta de 1,5% em 2019. Outro dado negativo observou-se nas indústrias de transformação (-4,3%), influenciadas pela queda na fabricação de veículos automotores, outros equipamentos de transporte, confecção de vestuário e metalurgia. Eletricidade e gás, água, esgoto e atividades de gestão de resíduos tiveram retração de 0,4%. Já as indústrias extrativas subiram 1,3%. A explicação é a alta na produção de petróleo e gás, o que compensou a queda da extração de minério de ferro.

Os aumentos da soja (7,1%) e do café (24,4%) ajudaram a agropecuária a crescer 2,0%. Os dois produtos tiveram produções recordes na série histórica. Mas algumas lavouras observaram variação negativa na estimativa de produção anual, como a laranja (-10,6%) e o fumo (-8,4%). “Isso decorreu do crescimento da produção e do ganho de produtividade da agricultura, que suplantou o fraco desempenho da pecuária e da pesca”, observou a coordenadora.

Nova década perdida

O PIB anual é a soma do valor de todos os bens e serviços produzidos no Brasil ao longo de um ano. Em 2020, ele totalizou R$ 7,4 trilhões.

Segundo o IBGE, o PIB está hoje mais ou menos no patamar do fim de 2018 e início de 2019, e 4,4% abaixo do auge da década, no início de 2014.

Segundo a Fundação Getúlio Vargas, o crescimento médio anual da década de 2011 a 2020 foi de apenas 0,3%, inferior à média anual de 1,6% verificada na década de 1980, que entrou para a história como a década perdida.

*Com informações da Agência Brasil e do DW.


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