Capitalistas isolam Governo Bolsonaro ao não apresentarem proposta para compra de petróleo da União; Pregão internacional foi realizado pela Pré-Sal Petróleo

Nenhuma proposta foi apresentada na licitação internacional realizada hoje (28/04/2021) pela Pré-Sal Petróleo (PPSA) para contratar um agente comercializador para o petróleo da União produzido na Área Individualizada de Tupi. As petrolíferas Petrobras, Equinor e Total se cadastraram para participar da licitação, mas não enviaram documentação.

A atitude dos capitalistas internacionais pode ser avaliada como uma medida de isolamento do Desgoverno Bolsonaro, cuja ação política promove grave retrocesso econômico e social no Brasil.

Sobre a área ofertada

A Área de Individualizada de Tupi foi definida no Acordo de Individualização da Produção (AIP), celebrado em abril de 2019, porque as reservas do campo de Tupi, na Bacia de Santos, se estendiam para além da área contratada pelo consórcio operado pela Petrobras (65%), com os sócios Shell (25%) e Petrogal (10%).

O campo de Tupi, anteriormente conhecido como campo de Lula, é o maior produtor de petróleo e gás natural do pré-sal, e, por meio do AIP, a União garantiu uma participação de 0,551% na jazida compartilhada.

O agente comercializador que a PPSA buscava contratar com a licitação seria responsável por todo o processo de comercialização da participação da União prevista no AIP, o que incluiria a identificação de um comprador, o carregamento no navio-plataforma (FPSO), o transporte até o ponto de transbordo ou entrega por cabotagem e outras atribuições.

O contrato de agente comercializador teria duração de cinco anos, durante os quais seriam comercializados quatro milhões de barris de petróleo, a um valor estimado de US$ 218 milhões.

Extremista isolou país da comunidade internacional

Solidão

Após cerca de dois anos e meio no cargo, o extremsita Jair Bolsonaro fica cada vez mais solitário no mundo. Depois que Donald Trump deixou o poder nos EUA, ele é o único chefe de governo de um grande país que não dá a mínima para as mudanças climáticas. Mas agora sobretudo o empresariado está incomodado com o papel de pária ambiental do Brasil.

Porque, além da falta de reformas e da fraca gestão da crise, que empurra a esperada recuperação econômica cada vez mais para 2022, existe agora a ameaça de pressão adicional do exterior por causa da desastrosa política ambiental. Isso é algo que já vem sendo sentido por fundos e investidores que dependem de empréstimos externos.

Com isso, o banqueiro Armínio Fraga teve que suspender a captação de um multibilionário fundo de private equity antes do esperado, devido à falta de investidores, principalmente do exterior. “O pessoal está meio em greve”, lamenta o ex-presidente do Banco Central.

Aversão ao Brasil

Guilherme Leal, empresário e ex-candidato a vice-presidente do Partido Verde, também sente resistência do exterior. Os investidores não querem mais ir ao Brasil por causa da política ambiental. A controladora da rede de cosméticos Natura teme que a aversão dos consumidores ao redor do mundo aos produtos do Brasil saia do controle. “Parceiros comerciais estão com uma série de ruídos. E existe um risco disso chegar aos consumidores, e aí não tem quem controle”, afirma.

Essa crítica cada vez maior ao Brasil acaba ofuscando outros aspectos. Por suas usinas hidrelétricas, biocombustíveis e fontes alternativas de energia como solar, biogás e eólica, o Brasil possui uma das produções de energia mais sustentáveis ​​entre os principais países do mundo.

O Brasil é criticado mundialmente exclusivamente por causa da destruição florestal e do governo que nada está fazendo para evitá-la. “O Brasil tem a matriz energética mais sustentável entre as principais economias do mundo. Poderíamos ser uma referência neste mundo da descarbonização”, diz Markos Jank, um dos maiores especialistas em agroindústria do Brasil.

Papel do setor privado

Mas a falta de credibilidade é um obstáculo. Isso também se aplica a parte do próprio empresariado brasileiro. Jank defende, por exemplo, que o setor privado se torne mais ativo na proteção do meio ambiente, que sobretudo os agricultores façam mais para combater o desmatamento ilegal.

Para o investidor financeiro Alperowitch, o discurso nada convincente de Bolsonaro na cúpula do clima e as reações negativas a ele são um alerta para as empresas brasileiras listadas em bolsa de valores. “Greenwashing não ajuda nada, só prejudica!”

*Com informações de Alexander Busch, do DW.


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