Em Dia Mundial de Liberdade de Imprensa, ONU diz que jornalismo livre combate desinformação 

Em mensagem de vídeo, secretário-geral fala de desafios, como censura e assédio, e diz que situação continua piorando; para Guterres, informação é “bem público”.
Neste 3 de maio de 2021, as Nações Unidas comemoram o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa com o tema “Informação como bem público”.

Em mensagem, o secretário-geral lembra os desafios criados pela Covid-19, que  “sublinham o papel crítico da informação confiável, verificada e universalmente acessível para salvar vidas e construir sociedades fortes e resilientes.”

Importância

Guterres disse que, durante a pandemia e em outras crises, incluindo a emergência climática, “jornalistas e profissionais da imprensa ajudam-nos a navegar por um cenário de informações em constante mudança”, ao mesmo tempo em que se enfrenta imprecisões e inverdades perigosas.

Em muitos países, os profissionais correm grandes riscos pessoais, incluindo novas restrições, censura, abuso, assédio, detenção e até morte, simplesmente por fazerem o seu trabalho. E para ele, “a situação continua a piorar.”

O impacto da pandemia atingiu duramente muitos meios de comunicação, ameaçando a sua própria sobrevivência.

O chefe da ONU lembrou que “à medida que os orçamentos apertam, estreita-se também o acesso a informações confiáveis.” Ele citou ainda rumores, informações falsas e opiniões extremas e divisões que surgem para “preencher este espaço.”

Apelo

Nesta data, o secretário-geral apelou aos governos que façam tudo ao seu alcance para apoiar a liberdade, a independência e a diversidade dos mídia.

Guterres acredita que “o jornalismo livre e independente” é um é aliado no combate à desinformação.

Ele lembrou o Plano de Ação das Nações Unidas para a Segurança de Jornalistas, aprovado em 2013, que visa criar um ambiente seguro para profissionais do ramo em todo o mundo.

Em 2021, ocorre o 30º aniversário da Declaração de Windhoek para o Desenvolvimento de uma Imprensa Africana Livre, Independente e Plural.

António Guterres pediu uma reflexão e renovação dos esforços para proteger a liberdade de imprensa, para que “a informação continue a ser um bem público para todos que salva vidas.”

Segurança

Representante da Unesco no Brasil, Marlova Noleto, disse que a entidade lança, a cada dois anos, um relatório que aborda a segurança de jornalistas e o perigo da impunidade àqueles que praticam crimes contra esses profissionais. “O relatório aponta que, na última década, morreu um jornalista a cada quatro dias, e que 156 jornalistas foram assassinados em 2018 e 2019”.

A Unesco chama a atenção também para o aumento do uso de forças policiais e de segurança em eventos de protesto. “Em 2015, jornalistas foram impedidos de cobrir 15 eventos de protestos. E em 2019 esse número mais que dobrou, chegando 32 protestos”, disse. “Precisamos que os jornalistas possam trabalhar em segurança; que tenham seus direitos respeitados; e que todos estejamos comprometidos em fortalecer a liberdade de imprensa e o bom jornalismo”.

O presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Flávio Lara Resende, disse que informação é um bem público e um direito garantido pela Constituição que exige “constante vigilância”. Lara Resende destacou que nem mesmo os ataques e as tentativas de desacreditar a fala dos veículos de comunicação são capazes de parar a imprensa que, segundo ele, “continua nas ruas para levar à população conteúdo com credibilidade”.

Lara Resende citou um relatório segundo o qual “quase 6 agressões por minuto” são dirigidas a jornalistas. “Por algum motivo muitos brasileiros não têm ideia exata da importância da liberdade de expressão para a democracia. É um papel que cabe, a nós da imprensa, tentar explicar da melhor forma possível. Sem emoção, sem ódio e de forma clara porque a liberdade de expressão é importante tanto para a democracia como para melhorar a parte econômica do país”.

*Com informações da ONU News.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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