YouTube remove 12 vídeos que mostram extremista Jair Bolsonaro falando promovendo uso de medicações sem eficácia contra a Covid-19

No Rio de Janeiro, extremista Jair Bolsonaro atuou contra medidas sanitárias restritivas contra a Covid-19, durante evento corrido no domingo (23/05/2021).
No Rio de Janeiro, extremista Jair Bolsonaro atuou contra medidas sanitárias restritivas contra a Covid-19, durante evento corrido no domingo (23/05/2021).

O YouTube removeu cerca de12 vídeos do canal do extremista Jair Bolsonaro (sem partido) nesta quarta-feira (26/05/2021). Pelo menos 10 deles traziam menções explícitas para a recomendação de cloroquina e ivermectina contra Covid-19, dois medicamentos que não têm eficácia comprovada contra a doença. O YouTube proíbe que vídeos recomendando os remédios sejam veiculados na plataforma.

Alguns vídeos removidos traziam o nome das medicações já no título, entre eles “A Hidroxicloroquina cada vez mais demonstra sua eficácia em portadores do COVID-19” e “Fox News mostra estudos sobre a eficácia da Hidroxicloroquina no combate ao Coronavírus”. Outros vídeos trazem a cloroquina na descrição do conteúdo, o que também não é permitido de acordo com as políticas do YouTube.

Também na última quarta, foram removidos três vídeos de outros perfis apoiadores do presidente: um do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL), outro do deputado Daniel Silveira (PSL) e um terceiro do ex-senador do Espírito Santo Magno Malta. Os três também apareciam citando a cloroquina.

Desde meados de abril deste ano, quando o YouTube implementou novas políticas que proíbem vídeos que recomendam o uso de hidroxicloroquina ou ivermectina para o tratamento ou prevenção da Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro teve 17 vídeos retirados de seu canal na plataforma. Só no mês passado, foram cinco publicações, todas de transmissões ao vivo que ele faz às quintas-feiras. Há ainda a remoção de lives feitas em março e abril do ano passado.

Canal de Bolsonaro não saiu do ar

Apesar de os vídeos não estarem mais disponíveis, o canal do presidente Bolsonaro permanece funcionando. As novas regras do YouTube estipulam que, na primeira vez que um canal viola as diretrizes, o criador recebe um alerta “informando que ele precisa conhecer melhor as regras”. Se as políticas forem desrespeitadas novamente, aí sim vem o primeiro aviso oficial — cada aviso leva 90 dias, a partir da data de emissão, para expirar. Caso o dono do conteúdo receba três desses avisos em um período de 90 dias, o canal é removido de forma permanente do YouTube.

Como as políticas foram atualizadas recentemente, o YouTube contou ao G1 que existe um “período de carência” de um mês até que as novas regras comecem a valer. Elas foram anunciadas em 16 de abril, o que significa que as regras atualizadas só entraram em vigor no último dia 16 de maio. Portanto, qualquer conteúdo publicado antes dessa data não conta para a formação dos avisos, o que não significa que o YouTube deixará de remover vídeos que continuem insistindo em tratamento precoce e medicamentos que não possuem comprovação científica contra a Covid-19.

As novas políticas do YouTube se baseiam principalmente nas orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo o site de vídeos do Google, não é permitido recomendar ivermectina ou hidroxicloroquina para tratamento ou prevenção da Covid-19; afirmar que estas duas medicações são tratamentos eficazes contra a Covid-19; ou afirmar que existem métodos de prevenção garantidos, ou que determinados remédios ou vacinas são uma cura garantida contra a Covid-19.

Com informações do G1 e de Caio Carvalho, Gizmodo Brasil.

No Rio de Janeiro, extremista Jair Bolsonaro atuou contra medidas sanitárias restritivas contra a Covid-19, durante evento corrido no domingo (23/05/2021).
No Rio de Janeiro, extremista Jair Bolsonaro atuou contra medidas sanitárias restritivas contra a Covid-19, durante evento corrido no domingo (23/05/2021).

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