Representante do LGBTQIA+ diz, na Tribuna Livre da Câmara Municipal de Feira de Santana, que integrantes do movimento querem liberdade, respeito e sensibilidade

Denise Almeida, usou a Tribuna Livre da Câmara Municipal de Feira de Santana para pedir mais respeito, liberdade e sensibilidade por parte da população.
Denise Almeida, usou a Tribuna Livre da Câmara Municipal de Feira de Santana para pedir mais respeito, liberdade e sensibilidade por parte da população.

Uma das representantes da aliança LGBTQIA+, Denise Almeida, usou a Tribuna Livre da Câmara Municipal de Feira de Santana nesta terça-feira (10/08/2021) para pedir mais respeito, liberdade e sensibilidade por parte da população. Segundo ela, estar presente na Câmara Municipal fazendo uso da tribuna é um momento histórico para o movimento, que busca lutar pelos direitos e inclusão de pessoas de diversas orientações sexuais e identidades de gênero.

“É um momento histórico estar aqui nesta Casa, porque sou uma travesti, preta, pedagoga, mestranda em Educação, e estou em um ambiente que ainda é heteronormativo. Cito trechos bíblicos que tratam de amor e de respeito ao próximo porque precisamos mais disso. Queremos poder andar de mãos dadas com os nossos companheiros, companheiras e companheires, sem sermos atacadas, apedrejadas, esfaqueadas, atropeladas ou queimadas vivas como foi o caso da última travesti em Recife”, disse.

Denise destacou que o Brasil ainda é o país que mais mata travestis, apesar de, segundo ela, a lei do homem falar dos direitos de todos, de todas e de todes. “A Constituição Federal, em seu artigo 5º, nos garante, dentre outras coisas, a inviolabilidade do direito à vida, à segurança, à liberdade e à igualdade. Todavia, essas mesmas leis que nos trazem essas garantias, se fazem cegas e mudas quando se trata de corpos LGBTQIA+. E aqui eu saúdo os 80 corpos de travestis que foram mortas só no primeiro semestre desse ano, sem que as nossas leis abranjam, com rigor, os culpados”, frisou.

Denise almeida: “querem justificar o que é injustificável”

Para a integrante do movimento, quando se fala sobre essas questões, o cristianismo e as demais religiões são o palco para que justifiquem o que é injustificável, no que se refere às violências contra esses corpos. “Como se travesti, gay, bissexual, pansexual também não tivessem mãe, pai, irmão, amigos. Nós não somos filhos e filhas da mesma criação divina? ”, indagou.

Denise Almeida disse que, embora as mortes estejam presentes no cotidiano da vida das pessoas LGBTQIA+, e embora as suas vozes sejam cerceadas, inclusive por aqueles que são colocados para lhes representar, eles não vão se calar. “Não nos calaremos; não deixaremos que a vida, uma só sequer da nossa população, seja silenciada, apagada, morta, sem que as demais vozes gritem por socorro, e gritem, sobretudo, por respeito. Não estamos aqui por privilégios; estamos aqui por uma necessidade básica de sobreviver”.

Disse, também, que não querem destruir famílias, mas querem ter o direito de poder constituir uma família. “Não queremos casar na igreja; queremos poder andar de mãos dadas. Pedimos mais sensibilidade e visualização; pedimos que se tornem corriqueiras as falas de travestis, mulheres lésbicas, gays, pansexuais, e que as diferenças não sejam visualizadas entre questões de sexualidade ou gênero. Aproveito e agradeço ao meu esposo, que é meu companheiro, e aos movimentos e alianças que têm dado o apoio aos nossos corpos, vozes e falas, embora poucas”.


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