“Somos solidários à Rússia. Temos muito a colaborar em várias áreas. Defesa, petróleo e gás, agricultura e as reuniões estão acontecendo”, disse o presidente Jair Bolsonaro, informou reportagem de Leandro Prazeres, publicada nesta quarta-feira (16/02/2022) na BBC News Brasil.
O presidente Jait Bolsonaro disse que o encontro entre os dois será um “retrato” para o mundo sobre o potencial das relações entre os dois países.
“Tenho certeza de que até mesmo essa passagem por aqui é retrato para o mundo de que nós podemos crescer muito nas nossas relações bilaterais”, afirmou o presidente.
Visita em meio a tensão
A visita de Bolsonaro a Putin acontece em meio à tensão na fronteira da Rússia com a Ucrânia e o temor de uma invasão russa.
Nas últimas semanas, a Rússia havia mobilizado pelo menos 100 mil soldados para a fronteira ucraniana. O movimento foi uma reação à possibilidade de que o país fosse incluído na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Os Estados Unidos e países europeus como Reino Unido e Alemanha reagiram indicando a possibilidade impor sanções à Rússia. Na terça-feira, o governo russo anunciou a retirada de parte das tropas da região, numa sinalização de que um acordo poderia ser possível.
A confirmação da ida de Bolsonaro a Moscou causou reações no governo norte-americano. Nos bastidores, diplomatas dos EUA demonstraram contrariedade em relação à visita.
Há duas semanas, questionado sobre a visita de Bolsonaro a Putin, o Departamento de Estado dos Estados Unidos enviou uma nota à BBC News Brasil afirmando que o Brasil teria a “responsabilidade de defender os princípios democráticos e proteger a ordem baseada em regras, e reforçar esta mensagem para a Rússia em todas as oportunidades”.
Apesar do contexto de crise internacional, o ministro da Defesa brasileiro, Walter Braga Netto, disse que a crise russo-ucraniana não seria discutida durante a visita presidencial. O presidente Jair Bolsonaro disse ao presidente Vladimir Putin que é “solidário” à Rússia.
Bolsonaro não cita Ucrânia, mas elogia Putin em momento crítico
Em uma coletiva de imprensa concedida após seu encontro com Vladimir Putin em Moscou nesta quarta-feira (16/02), o presidente Jair Bolsonaro (PL) evitou mencionou a atual crise entre Rússia e Ucrânia. O líder brasileiro, no entanto, elogiou o russo e se referiu a ele como “prezado amigo”.
Segundo Bolsonaro, a reunião privada entre os dois chefes de Estado no Kremlin, a sede do governo russo em Moscou, se estendeu por duas horas e foi “bastante profícua”.
E apesar de não mencionar a situação da fronteira com a Ucrânia, o presidente brasileiro enfatizou o compromisso do Brasil e da Rússia com a paz.
“Pregamos a paz e respeitamos todos aqueles que agem dessa maneira, afinal de contas esse é o interesse de todos nós: paz para o mundo”, disse.
Em outro momento de seu discurso, Bolsonaro ainda ressaltou a proximidade de valores cultivados pelas duas nações. “Compartilhamos de valores comuns, como a crença em Deus e a defesa da família. Também somos solidários a todos os países que querem e se empenham pela paz”, afirmou.
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