Europa enfrenta ameaça de guerra; Ucrânia age motivada pelos interesses imperiais e mercadológicos dos EUA; Conflito teve início com ataques contra Repúblicas Populares reconhecidas pela Rússia

Primeiro ministro Boris Johnson e Olaf Scholz, chanceler da Alemanha.
Primeiro ministro Boris Johnson e Olaf Scholz, chanceler da Alemanha.

O primeiro-ministro do Reino Unido falou durante a Conferência de Segurança de Munique, onde exortou a Rússia a “desescalar” a situação em torno da Ucrânia, apesar da recente retirada de tropas russas.

A Rússia tem tanto o direito de viver em paz e segurança quanto outros países, afirmou no sábado (19/02/2022) Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, durante a 58ª edição da Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha.

“Cada país nesta conferência compartilha a visão da segurança e prosperidade da Europa com países soberanos, que decidem eles mesmos seu destino, e vivem sem medo e ameaças, e essa visão, obviamente, também inclui a Rússia, país cuja herança cultural respeitamos profundamente, e cujos sacrifícios na luta contra o fascismo são imensuráveis”, disse.

“A Rússia tem tanto direito de viver em paz e segurança quanto outros, e nós nunca devemos perder a oportunidade de sublinhar que a Rússia não tem nada que temer desta visão”, apontou Johnson.

Ele expressou sua certeza de que a Rússia não ganhará nada com um possível conflito militar “catastrófico” com a Ucrânia, e que apenas terá a perder.

“Exorto de novo o Kremlin a desescalar, a retirar os militares e a regressar ao diálogo”, continuou.

“Há um caminho pela frente, se o presidente Putin estiver pronto. Podemos discutir as ameaças que ele afirma ver, porque na realidade todos nós sabemos que todas essas ameaças são uma ilusão. Elas são produto de uma visão cronicamente errada do Kremlin sobre a OTAN, que supostamente é uma aliança ameaçadora. Essa não é a função da OTAN, a OTAN é uma aliança pacífica e defensiva”.

“Nós também estamos prontos para trabalhar com o presidente Putin, para demonstrar este ponto de vista, e lhe dar as garantias de que precisa”, declarou.

Na quinta-feira (17) aumentaram as tensões em torno de Donbass, depois que as repúblicas autoproclamadas de Donetsk e Lugansk anunciaram ataques por parte de militares da Ucrânia. As autoridades desses dois territórios começaram a evacuar temporariamente parte dos habitantes locais para a região de Rostov, na Rússia. Hoje (19) de manhã houve relatos de queda de projéteis em território russo, perto da fronteira.

Os países ocidentais têm acusado a Rússia nos últimos meses de preparar uma invasão da Ucrânia, apesar de Moscou já ter retirado parte de suas tropas das proximidades do território ucraniano.

Moscou nega ter planos agressivos contra Kiev, e crê que tais declarações visam encobrir a militarização da OTAN do território perto das fronteiras da Rússia. Em dezembro, o Kremlin propôs projetos de tratados prevendo a não militarização do território entre a Aliança Atlântica e a Rússia, e que o bloco militar deixe de se expandir para leste.

Líderes demonstram extrema preocupação

O chanceler federal alemão, Olaf Scholz, foi bastante contundente em seu discurso durante a Conferência de Segurança de Munique, neste sábado. Scholz disse que “a Europa mais uma vez enfrenta uma ameaça de guerra, e o risco não foi de forma alguma evitado”.

O líder alemão disse que o Ocidente não deve ser “ingênuo” e reafirmou o compromisso de Berlim com os países para que decidam de maneira independente se querem ou não se candidatar para o ingresso na Otan.

A ministra alemã do Exterior, Annalena Baerbock, pediu cautela quanto a tentativas de adivinhar a forma como a Rússia vai agir neste momento de impasse.

“Em situações de crise, a coisa mais inapropriada a fazer é de alguma forma adivinhar ou supor”, disse, neste sábado, em Munique.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, afirmou que a Rússia não tem nada a ganhar com o que chamou de “empreitada catastrófica”, reforçando que, em caso de invasão à Ucrânia, o impacto ecoaria em todo o mundo.

“O risco agora é que as pessoas tirem a conclusão de que a agressão compensa”, disse Johnson, que ainda acredita ser possível “seguir o caminho da paz e do diálogo”.

Johnson também fez coro ao apelo da presidente da Comissão Europeia para que a Europa “diminua a dependência do petróleo e do gás de Putin”.

Ocidente se comprometeu com não-expansão da OTAN para leste em 1991, revela mídia

Países ocidentais realizaram conversações com a URSS no início de 1991, nas quais foi referido que “a OTAN não se expandirá além do Elba”, segundo o jornal Der Spiegel.
Um documento classificado de 1991, obtido dos Arquivos Nacionais do Reino Unido, mostra que os países ocidentais se comprometeram com a não-expansão da OTAN para leste, relata na sexta-feira (18) o jornal Der Spiegel.

O documento revela conversações entre o então secretário de Estado dos EUA e os ministros das Relações Exteriores da Alemanha, França, Reino Unido e URSS em Bonn, em 6 de março de 1991. Segundo o jornal, o texto mostra que os países ocidentais concordaram que a participação de países do Leste Europeu da OTAN seria inaceitável, o que justifica as atuais queixas da Rússia em relação ao bloco militar.

“Deixamos claro durante as conversações que a OTAN não se expandirá além do [rio] Elba, então não podemos [oferecer] filiação na OTAN à Polônia e outros”, disse Jurgen Chrobog, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha.

Raymond Seitz, secretário de Estado dos EUA, concordou com Chrobog, segundo o Der Spiegel.

“Deixamos claro à União Soviética que nós não vamos [aproveitar] a retirada de tropas soviéticas do Leste Europeu […] A OTAN não pode se expandir nem oficialmente, nem não-oficialmente”, apontou na época.

A Rússia tem protestado contra a expansão da OTAN desde os anos 1990, considerando que a presença militar do bloco junto de suas fronteiras constitui uma ameaça direta ao país. Vladimir Putin, presidente da Rússia, reconheceu que Mikhail Gorbachev, ex-líder da URSS (1985-1991), cometeu um erro ao não converter as negociações sobre o não-alargamento da OTAN em um acordo escrito.

Além disso, Moscou tem argumentado que os Estados-membros da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) acordaram em Istambul, Turquia, em 1999, e em Astana, Cazaquistão, em 2010, o princípio da indivisibilidade da segurança, ou seja, que nenhum Estado pode adquirir segurança à custa da segurança de outro Estado.

Em dezembro, Moscou propôs projetos de acordo com a OTAN, entre cujos pontos principais se incluem o não alargamento da Aliança Atlântica para leste e respetivo regresso às fronteiras de 1997, e a não colocação de meios militares na proximidade entre a Rússia e a OTAN.

¨Com informações da Sputnik Brasil.


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