O governador Eduardo Leite (PSDB) anunciou nesta segunda-feira (28/03/2022), em coletiva de imprensa no Palácio Piratini, que vai deixar o cargo após três anos e três meses à frente do Poder Executivo do Rio Grande do Sul (RS). Com a renúncia, que será oficializada nos próximos dias, o vice-governador Ranolfo Vieira Júnior (PTB) assume o governo.
Eduardo Leite disse que a decisão foi muito ponderada e que deixa o mandato para poder dar a sua contribuição no cenário nacional das eleições de outubro. “Eu atendo o que a legislação eleitoral me exige, de renunciar ao mandato de governador para que eu possa estar na política atuando nesta eleição que é decisiva, a mais importante da história recente do nosso país, buscando dar toda a colaboração que eu puder para ajudar o país a encontrar uma alternativa”, disse.
O governador relembrou a trajetória no governo do Rio Grande do Sul e disse que confia na continuidade dos projetos sob a liderança de Ranolfo, hoje vice e secretário da Segurança Pública. “Colocamos os salários do funcionalismo e os repasses da saúde em dia, pagamos as dívidas atrasadas, estamos fazendo investimentos históricos e ainda reduzimos impostos. Ranolfo estava ao meu lado participando de todos esses momentos. O Rio Grande do Sul virou o jogo e o jogo agora continua com um novo comandante”, disse Leite.
A transferência de cargo e a posse de Ranolfo como governador do Estado devem ocorrer em solenidade nos próximos dias. Leite reafirmou a absoluta confiança na condução do Ranolfo. “Seu histórico, currículo, trajetória e a convivência leal e fraterna que tivemos me dão total convicção de que ele não resumiu sua participação no governo à Secretaria da Segurança, onde, aliás, teve resultados excelentes. Ele conhece todos os projetos e políticas públicas e acompanha cada dado e cada número do governo”, afirmou o governador.
Eleições 2022
Segundo jornalista Caio Junqueira, em reportagem publicada nesta segunda-feira (29/03) na CNN, o ex-presidente Michel Temer )MDB-SP) e o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) devem se encontrar na próxima semana em São Paulo para tratar da candidatura de Eduardo Leite (PSDB) à presidência da República.
Será um dos primeiros encontros formais de lideranças tucanas que defendem a candidatura Leite com lideranças de outros partidos, dentro da estratégia de estrangular “por fora” a candidatura do governador de São Paulo, João Doria, a presidente.
“A ideia é angariar apoios pró-leite no MDB e no União Brasil para forçar João Doria a desistir da candidatura. O próprio movimento de Leite nesta segunda-feira (28) de permanecer no partido já foi visto, segundo seus aliados, como uma decisão tomada após esses partidos sinalizarem que aceitam negociar apoio se ele for o candidato, e não Doria. O vice-presidente do União Brasil, ACM Neto, por exemplo, é um dos que já teriam dado esse sinal”, informou Caio Junqueira.
“Embora não se fale no PSDB de que Garcia vá abandonar Doria, há a leitura de que a alta rejeição do atual governador do estado é um peso na sua candidatura, que patina nas pesquisas de intenção de voto”, concluiu Caio Junqueira.
Disputa com João Dória e descumprimento das prévias do PSDB
Segundo reportagem de Bruno Boghossian e Julia Chaib, se decidir concorrer à presidência da Republica pelo PSDB, Eduardo Leite enfrentará dificuldades. A viabilidade da candidatura depende da direção do partido descumprir o resultado das prévias que definiu João Doria como candidato, ou se o governador de São Paulo desistisse de disputar a eleição presidencial.
Aliados de Leite no partido, liderados pelo deputado Aécio Neves (PSDB-MG), trabalham para que o nome do gaúcho seja chancelado por outros partidos da chamada terceira via, sob o argumento de que ele seria um candidato mais viável que Doria.
Esse cenário em que Leite poderia ser alçado a candidato do PSDB ao Planalto é tratado como ilusório por aliados de Doria, já que o governador paulista venceu uma disputa interna que teve gastos do fundo partidário, participação de milhares de filiados e registro do resultado na Justiça Eleitoral.
Neste domingo (27/03), Doria afirmou que desrespeitar as prévias seria um golpe. “As prévias valem. Qualquer outro sentimento diferente disso é golpe. Uma tentativa torpe, vil, de corroer a democracia e fragilizar o PSDB”, disse Doria.
Nesta segunda, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi ao Twitter para demonstrar apoio a Doria. “As prévias do PSDB foram realizadas democraticamente. Assim sendo, penso que devem ser respeitadas”, disse.
O PSDB já anunciou uma federação com o Cidadania e selou uma aliança com União Brasil e MDB. Os quatro partidos fecharam um acordo para que, até junho, escolham um candidato único. É nessa negociação que a opção por Leite pode prosperar, segundo a ala do PSDB que o apoia.
Além de Doria e Leite, pleiteiam a vaga a senadora Simone Tebet (MDB) e o presidente da União Brasil, Luciano Bivar. O Podemos de Sergio Moro também foi chamado a ingressar o bloco da candidatura única.
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