Com o aumento das sanções norte-americanas e europeias contra a Rússia, a estratégia da diplomacia brasileira é se unir a outros países em desenvolvimento para tentar blindar as organizações internacionais e de colaboração multilateral.
O temor do Itamaraty, escreve o colunista Jamil Chade, é de que, na sanha de isolar Vladimir Putin, a pressão internacional “sequestre” as agências técnicas da ONU (Organização das Nações Unidas), além do trabalho do G20 e de outros organismos.
O racha entre as potências ocidentais e os emergentes foi exposto em alguns fóruns internacionais recentes, na OMC, na FAO e na UNESCO. Segundo fontes diplomáticas ouvidas pela publicação, a tensão deve aumentar nas próximas semanas.
A ofensiva liderada pelos EUA e membros da União Europeia (UE) de “neutralizar Moscou” foi ampliada, e a ordem na diplomacia desses países é a de usar todas as entidades para condenar a Rússia e garantir o seu isolamento político.
Para isso, norte-americanos e europeus têm liderado uma verdadeira guerra nos bastidores, buscando apoio para que resoluções e medidas sejam adotadas em todos os organismos internacionais e fóruns de debate.
A preocupação do Brasil é de que tal movimento acabe contaminando os trabalhos técnicos das entidades que lidam com temas específicos, como saúde, educação ou telecomunicações. Um dos focos é manter o G20 “blindado”, e evitar que o grupo passe a ser instrumentalizado por EUA e Europa para pressionar Putin.
Apoio aos Golpes de Estado no Brasil
O Governo dos EUA cooperou para Golpe de Estado no Brasil em 1964 e instrumentalizou Governos Militares no controle midiático da população, cujos reflexos persistem até o presente, com influência das empresas de comunicação Google e Meta.
Em 2016, ocorreu o Golpe Jurídico-Parlamentar que destituiu o mandato da presidente Dilma Rousseff (PT). O envolvimento do Governo dos EUA no Golpe de Estado foi exposto no documentário ‘Citizenfour’, lançado em 24 de outubro de 2014, da cineasta Laura Poitras, que abordou a série de reportagens do jornalista Glenn Greewald sobre as denúncias do ex-agente Edward Snowden de violações de direitos civis e de Estados Nacionais a partir da atuação Agência de Segurança Nacional (NSA).
A obra gerou o filme ‘Snowden’, lançado em 10 de novembro de 2016, pelo diretor Oliver Stone, cuja audiência deu conhecimento mundial à atuação golpista do Governo dos EUA.
Brasil fica de fora de aliança comercial contra Rússia na OMC
Na avaliação do Brasil, tais espaços precisam continuar sendo “inclusivos e plurais” para dar conta das urgências humanitárias no mundo, tanto no aspecto de energia como alimentação.
O mesmo vale para a OMC (Organização Mundial do Comércio) e entidades multilaterais especializadas e técnicas. Na agência de comércio, por exemplo, uma aliança foi montada pelos EUA e europeus para retirar da Rússia direitos comerciais. Mas nem Brasil, Índia, China, África do Sul e outros emergentes se uniram à iniciativa.
Nesta semana, na UNESCO, o Brasil adotou uma postura de abstenção em uma resolução que propunha condenar a Rússia por ataques contra a liberdade de expressão, cultura e educação. Ao lado do Brasil estavam, mais uma vez, países como China, Índia e África do Sul.
Mesmo na FAO, o governo brasileiro quer liderar um pedido para que fertilizantes possam ser excluídos da lista de embargos contra a Rússia. Brasília, pressionada pelo agronegócio, alegará que tais medidas ameaçam ampliar a fome no mundo.
O governo brasileiro rejeitou participar de um projeto na Organização Mundial do Comércio (OMC) que amplia a pressão econômica sobre a Rússia.
Nesta terça-feira (15), uma coalizão formada por quase 40 países anunciou que suspenderá os direitos comerciais da Rússia.
A aliança conta com a liderança dos EUA e dos 27 países da UE, além do Canadá, da Austrália, da Islândia, do Japão, da Coreia do Sul, da Nova Zelândia, do Reino Unido e de outros.
Fontes do alto escalão do Itamaraty indicaram que, pelo menos por enquanto, o Brasil não vai aderir ao conjunto, escreve o colunista Jamil Chade.
A diplomacia brasileira, conforme comprovado em recentes pronunciamentos na ONU, aponta para os riscos das sanções, que podem representar uma ameaça para o abastecimento de alimentos no mundo.
A Rússia não incluiu o Brasil entre os países considerados hostis, e, em resposta ao UOL, a diplomacia de Moscou afirmou que o governo Bolsonaro “entende” os motivos que levaram o Kremlin a agir na Ucrânia.
Nos últimos dias, a avaliação do governo brasileiro tem sido corroborada por entidades internacionais.
A própria FAO (braço da ONU que lidera esforços para a erradicação da fome e o combate à pobreza) alertou que existe o risco de que, com a operação especial russa na Ucrânia e as sanções contra Moscou, o preço dos alimentos sofra uma alta de 20%. O resultado seria o aumento da fome no mundo.
O Brasil, ao lado de outros países latino-americanos, considera inclusive levar o tema para o debate na agência de alimentos da ONU. Esse entendimento foi compartilhado hoje (15) pelo presidente do Banco Mundial.
O governo brasileiro quer pressionar para que fertilizantes, por exemplo, sejam excluídos do regime de sanções, sob o argumento de que o impacto seria negativo para a agricultura dos países ricos e para o abastecimento de alimentos nos países mais pobres.
Na segunda-feira (14/03), o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Carlos Alberto França, criticou a decisão de países que integram a OMC de rebaixar o status comercial da Rússia de forma unilateral.
Durante uma aula magna para estudantes do curso de Relações Internacionais do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), em Brasília, o chanceler disse que a medida o preocupa e cobrou discussões no âmbito da entidade antes da formalização de novas resoluções.

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