Rússia cobra dos EUA redução de instalações de biologia militar em nações pós-soviéticas; Estadunidenses têm histórico de genocídio com massacre de índios e lançamento de bombas atômicas em populações civis

Anatoly Antonov: Os EUA continuam sendo o único Estado parte da Convenção sobre Armas Químicas (CWC) que ainda não cumpriu as obrigações internacionais.
Anatoly Antonov: Os EUA continuam sendo o único Estado parte da Convenção sobre Armas Químicas (CWC) que ainda não cumpriu as obrigações internacionais.

O embaixador russo nos Estados Unidos, Anatoly Antonov chamou de nervosas as acusações de representantes do governo dos EUA contra a Rússia sobre uma suposta violação de convenções químicas e biológicas pelo Governo Putin.

“Declarações nervosas das autoridades norte-americanas testemunham a séria preocupação da Casa Branca sobre a divulgação da verdade a respeito do trabalho em andamento no programa biológico militar perto das fronteiras da Federação da Rússia com financiamento dos EUA”, disse Antonov.

O embaixador russo em Washington também pediu aos EUA para que reduzam imediatamente o trabalho ilegal no campo da biologia militar no espaço pós-soviético, e lembrou que é a hora do governo norte-americano acelerar a destruição dos estoques nacionais de armas químicas.

“Os EUA continuam sendo o único Estado parte da Convenção sobre Armas Químicas (CWC) que ainda não cumpriu as obrigações internacionais”, lembrou Antonov.

As “declarações citadas pelo embaixador aconteceram também nesta quarta-feira (09/03/2022), quando o Departamento de Estado dos EUA negou que Washington tenha laboratórios químicos ou biológicos na Ucrânia.

O pronunciamento contradiz a subsecretária de Estado para Assuntos Políticos dos EUA, Victoria Nuland. Ontem (8), ela afirmou que na Ucrânia existem instalações de pesquisa biológica, e que Kiev e Washington estão trabalhando para evitar que os materiais caiam nas mãos das forças russas.

Na segunda-feira (7), o diretor das Forças de Defesa Química, Biológica e de Radiação da Rússia, Igor Kirillov, afirmou que após a análise de documentos, ficou entendido que o Ministério da Saúde da Ucrânia colocou como objetivo a partir do dia 24 de fevereiro destruir totalmente todos os agentes biológicos nos laboratórios ucranianos.

Na terça-feira (8), Maria Zakharova, representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, trouxe mais informações à tona, que comprovam a violação da Convenção sobre as Armas Biológicas e Toxínicas (BTWC, na sigla em inglês).

Zakharova acrescentou que esses dados confirmam a validade das acusações que a Rússia vem fazendo, sobre o desenvolvimento de armas biológicas em territórios das antigas repúblicas da União Soviética com o auxílio dos Estados Unidos.

De acordo com o diretor das Forças de Defesa Química, Biológica e de Radiação da Rússia, as atividades de fortalecimento das propriedades patogênicas, que estão sendo empenhadas na Ucrânia, são uma violação ucraniana e dos EUA da convenção da ONU sobre a proibição de armas biológicas e à base de toxinas.

Kirillov detalhou que eram realizados experimentos com bactérias da peste, antraz e brucelose em um laboratório biológico de Lvov, e com a difteria, salmonelose e disenteria nos laboratórios de Kharkov e Poltava. Apenas em Lvov foram destruídos 232 recipientes com leptospirose, 30 com tularemia, dez com brucelose e cinco com peste.

Genocidas históricos

Philip Henry Sheridan (1831 – 1888) foi um general do exército dos EUA que participou da Guerra de Secessão e das Guerras indígenas. Ele é o autor da frase “índio bom é índio morto”, que tem como contexto o genocídio de milhões de nativos da América do Norte, durante conquista territorial.

Cerca de 70 depois, nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, as Forças Armadas dos EUA utilizaram, pela primeira vez na história da humanidade, bombas atômicas contra populações civis.

O lançamento das bombas sobre Hiroshima e Nagasaki foi a forma utilizada pelos Estados Unidos para forçar a rendição japonesa no contexto da Segunda Guerra e impor uma nova ordem mundial que usa como arma o genocídio nuclear.

O povo rus

Para o presidente Vladimir Putin, após a dissolução da União Soviética, as fronteiras foram “definidas de forma absolutamente arbitrária e nem sempre justificada”.
Foi o que ele afirmou em um ato de seu movimento político em 2016.

“Donbas, por exemplo, foi transferida para a Ucrânia sob o pretexto de aumentar a porcentagem do proletariado na Ucrânia para ganhar mais apoio social lá. Um disparate”, declarou o presidente russo.

Em 12 de julho de 2021, em um longo artigo sobre as relações com a Ucrânia publicado no site do Kremlin, Putin deu mais pistas sobre seu interesse em reunificar o mundo russo.

O mandatário remontou à época do antigo povo rus, considerado o ancestral comum da população da Rússia, Belarus e Ucrânia, e destacou os vários marcos da história comum para defender sua visão de que russos e ucranianos são “um só povo”.

“A visão dominante do nacionalismo russo é que a Ucrânia é uma nação irmã eslava e, além disso, é o coração da nação dos rus. É uma ideologia muito poderosa que faz da Ucrânia um elemento central da identidade russa”, explica Gerald Toal, professor de Relações Internacionais da Universidade Virginia Tech, nos Estados Unidos, à BBC News Mundo.

“Por isso, há emoções muito fortes quando a Ucrânia como nação se define em oposição à Rússia. Isso causa muita raiva e frustração na Rússia, que se sente traída por um irmão”, acrescenta.


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