Uma tempestade criativa e espontânea que carregava, no corpo, música, alegria e generosidade. É assim que as pessoas lembram do maestro, instrumentista, compositor e pesquisador Letieres Leite (1959-2021), cujo amor pela música deixou sementes e inspirou quem conviveu com sua arte a manter sua música viva. É esse o sentimento que rege o Festival Rumpilezz II – Honra ao Rei, evento híbrido que homenageia o mestre entre os dias 6 e 10 de junho de 2022, com show ao vivo no TCA, em Salvador, e programação on-line gratuita, transmitida pelo canal do Instituto Rumpilezz no YouTube (/rumpilezz).
O projeto promovido pelo Instituto Rumpilezz e patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Cultural, enaltece, ainda, o pensamento teórico-pedagógico do criador do Universo Percussivo Baiano (UPB). Oficina, webinário e concerto-instalação interativo e gravado com câmera 360º fazem parte do evento que terá, ainda, o concerto em Tributo a Letieres Leite com apresentações do Coletivo Rumpilezzinho, Letieres Leite Quinteto e Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz em um grande encontro ao vivo no Teatro Castro Alves (TCA) que celebra seu criador, no dia 9 de junho, às 20 horas, com participação de Margareth Menezes e Nara Couto.
Além dos shows, que expressam artisticamente o pensamento e a pesquisa de Letieres Leite sobre as contribuições das populações negras na formatação da cultura da América diaspórica, o festival apresenta uma impactante intervenção visual assinada pelo VJ Gabiru. São projeções que enaltecem a história de Leite, homem de Xangô que ensinou a todos que “toda música brasileira é música negra” e trouxe o ritmo para o lugar de prestígio que historicamente lhe fora negado.
O Festival Rumpilezz II oferece espaços para trocas com educadores e artistas que se orientam, assim como Letieres, pelas tecnologias ancestrais negras como elemento da criação. Um exemplo é a Oficina UPB Petrobras, que acontece no dia 7 de junho, às 20h, com participação do compositor, cantor e pianista pernambucano Zé Manoel e do historiador, educador e músico Fabrício Mota, que compõe o conselho curador do evento ao lado de professora doutora Denise Carrascosa e da historiadora e professora Anne Rodrigues.
“O pensamento de Letieres Leite é completamente avant-garde e talvez sejam necessários 50 anos para o mundo compreender o que ele propôs”, enaltece Anne Rodrigues, diretora artística do show no TCA que também compõe o webinário de abertura e o Laboratório Musical com o Coletivo Rumpilezzinho. Além de enfatizar que o Método UPB é um divisor de águas na teoria e no pensamento sobre o ritmo na música brasileira, a professora destaca que Letieres “tira a música desse lugar de som, ingênuo, passivo, meramente de lazer e apreciação”. “A música se desloca como fato social, histórico e isso ninguém nunca fez”, elogia.
O festival começou a ser feito ainda com Letieres, mas, diante de sua partida, Fabricio Mota acredita ser necessário olhar para essa obra e transformar o festival em um espaço de reverência. “Com certeza não cabe em um evento, Letieres era um cara muito maior do que o que ele fazia. Era muito à frente. Esse momento é mais para reverenciar o que ele deixou, essas experiências em movimento. A gente precisa continuar, fortalecer esses núcleos deixados por ele”, conclui Fabricio que, além de professor do programa social Rumpilezzinho, faz parte do conselho pedagógico.
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