Angola e Brasil estão entre os 10 mais atrasados em imunização geral durante pandemia

Crianças de 5 a 11 anos estão sendo vacinadas contra a Covid-19 no Brasil.
Crianças de 5 a 11 anos estão sendo vacinadas contra a Covid-19 no Brasil.

A pandemia foi o motor do maior retrocesso nas vacinações registrado em três décadas, no mundo.

Em 2021, a cobertura global de imunização continuou a cair atingindo 25 milhões de crianças que não receberam vacinas essenciais.

Sarampo, poliomielite e imunidade de rebanho

Desde 2019, a proporção de crianças que completaram as três doses contra difteria, tétano e coqueluche, em todo o globo, caiu cinco pontos, para 81%.

As taxas de imunização contra o sarampo estão no mesmo nível, e se ligam a uma queda significativa na cobertura da poliomielite.

O mínimo necessário é uma taxa de cobertura vacinal de 94% para a imunidade do rebanho, para que seja interrompida a cadeia de transmissão de uma doença.

Brasil e Moçambique

Dos países de língua portuguesa, Angola Brasil aparecem na lista dos 10 países mais afetados pela situação concentrando mais de 60% do total de perdas de imunização.

No Brasil, cerca de 26% das crianças não receberam vacinas, no ano passado, em comparação com 13% em 2018.

Em todo o mundo, subiu de 13 milhões para 18 milhões o número de menores que não receberam uma única dose das vacinas básicas em 2019.

Moçambique, ao lado do Mianmar, destaca-se entre nações com aumento relativo no número de crianças sem uma dose sequer no biênio analisado.

Investimento na imunização e disponibilidade do serviço

A Organização Mundial da Saúde, OMS, e o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, apontam que a Covid-19 foi um dos principais fatores e desviou a atenção e o investimento na imunização.

A desinformação e problemas relacionados à pandemia, como interrupções de serviços e cadeia de suprimentos, juntaram-se a questões como remanejamento de financiamento de esforços de resposta e medidas de contenção que limitavam o acesso e a disponibilidade do serviço de imunização.

Um fator chave para o declínio foi o número crescente de crianças vivendo em ambientes de conflito e frágeis.

As maiores perdas de vacinas os últimos dois anos ocorreram em países como Índia, Nigéria, Indonésia, Etiópia e Filipinas.

Alerta vermelho

Os dados refletem a maior queda de vacinações infantis ocorrida em aproximadamente 30 anos, segundo a OMS e o Unicef.

Para a diretora executiva do Unicef, Catherine Russell, este é um alerta vermelho para a saúde infantil.

Ela destacou que o mundo está vivendo a maior queda sustentada na imunização infantil em uma geração e que os efeitos da situação “serão medidos em vidas”.

A queda na cobertura vacinal destaca o número crescente de crianças em risco de doenças devastadoras, mas evitáveis.

*Com informações da ONU News.


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