Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido desde 2019, disse na quinta-feira (07/07/2022) que criou um novo gabinete para governar o Reino Unido. O pronunciamento ocorreu em meio aos relatos da mídia de que deixaria seu cargo.
Ele anunciou que continuará sendo premiê até o sucessor ser nomeado e exortou a iniciar imediatamente o processo de escolha do novo líder do partido. A renúncia coloca um fim em uma crise sem precedentes que paralisou o governo britânico.
“Agora está claro que o Partido Conservador quer [nomear] um novo líder do partido e, dessa forma, escolher um novo primeiro-ministro. Eu concordei com o senhor Graham Brady que […] o processo de escolha do novo líder do Partido Conservador deve começar agora”, falou Boris Johnson em um discurso ao Reino Unido, transmitido pelo canal Sky News.
Johnson também sublinhou que o Reino Unido seguirá apoiando a Ucrânia em meio à operação militar especial da Rússia.
“Permitam-me falar aos moradores da Ucrânia que eu sei que no Reino Unido seguiremos apoiando vossa luta pela liberdade por tanto tempo quanto for preciso”, prometeu.
Políticos comentam
Liz Truss, ministra das Relações Exteriores britânicas, qualificou como correta a decisão de Boris Johnson.
O premiê tomou a decisão correta. O governo sob a liderança de Boris teve muitos feitos – conseguindo o Brexit, vacinas e defesa da Ucrânia. Nós precisamos de calma e unidade agora para continuar governando enquanto um novo líder é encontrado.
Enquanto isso, Graham Brady, diretor do Comitê dos Membros Privados do Partido Conservador, afirmou não ter concordado em deixar o atual líder britânico no cargo de primeiro-ministro até outubro, escreveu nesta quinta-feira (7) o jornal The Telegraph.
Segundo um relato anterior de hoje do jornal Evening Standard, Johnson acertou a renúncia com Brady e lhe pediu para permanecer como premiê até outubro de 2022.
Comentando a iminente saída do alto responsável britânico, Vyacheslav Volodin, presidente da Duma da Rússia, a câmara alta do parlamento do país, o chamou de “palhaço” e “patrono” de Vladimir Zelensky.
“O palhaço está saindo […] O amigo próximo e patrono de Zelensky, Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, é forçado a deixar seu posto. Ele não conseguiu sobreviver, apesar de todos os seus esforços e empenho”, escreveu Volodin no seu canal no Telegram.
“Boris Johnson está por trás do bombardeio de nossas cidades pacíficas, Belgorod, Kursk. Os súditos britânicos deveriam saber disso”, acrescentou Volodin.
De acordo com o presidente da Duma russa, Johnson é “um dos principais ideólogos da guerra contra a Rússia até o último ucraniano”.
“Os líderes dos países europeus devem pensar ao que leva tal política.”.
Crise com Partido Conservador
Em protesto pelos seguidos escândalos envolvendo Johnson, mais de 50 membros do alto escalão do governo entregaram seus postos nos últimos três dias, pedindo a renúncia do premiê. Somente nesta quinta-feira, oito ministros renunciaram.
Esta é a crise mais profunda enfrentada pelo premiê desde que venceu as eleições gerais de 2019. Há um mês, ele superou uma moção de desconfiança em seu partido, mas saiu com o poder enfraquecido da votação, que mostrou insatisfação de 41% dos parlamentares conservadores com sua gestão e com os escândalos que o afetam.
O premiê vinha se negando a deixar o cargo, apesar da revolta de colegas do próprio Partido Conservador.
“A renúncia dele era inevitável”, afirmou Justin Tomlinson, vice-presidente do Partido Conservador, nesta quinta. “Como partido, devemos agora nos unir e focar no que importa.”
Num sinal de total falta de apoio, o ministro das Finanças de Johnson, Nadhim Zahawi, que foi nomeado para o cargo nesta terça-feira, pediu que o premiê renunciasse. “Isso não é sustentável e só vai piorar: para você para o Partido Conservador e, mais importante, para todo o país. Você precisar fazer a coisa certa e sair [do cargo]”, escreveu no Twitter.
Alguns dos que permanecerem em seus cargos, incluindo o ministro da Defesa, Ben Wallace, afirmaram que só o fizeram por terem a obrigação de manter o país seguro.
Os conservadores terão agora que eleger um novo líder, um processo que pode levar até dois meses.
Série de escândalos
Johnson chegou ao poder há quase três anos, com a promessa de concluir a saída do Reino Unido da União Europeia e pôr fim às amargas disputas que se seguiram ao referendo de 2016 sobre o Brexit.
Desde então, alguns conservadores apoiaram o ex-jornalista e ex-prefeito de Londres com entusiasmo, enquanto outros, apesar de ressalvas, o apoiaram porque ele conseguiu ter apelo entre parte do eleitorado que normalmente rejeitava o partido.
Mas a abordagem combativa e muitas vezes caótica de seu governo e uma série de escândalos esgotaram a boa vontade de muitos de seus legisladores, e pesquisas de opinião mostram que Johnson já não é mais popular entre a população.
A mais recente crise eclodiu após o então deputado do Partido Conservador Chris Pincher ser obrigado a deixar o cargo devido a acusações de ter “apalpado” dois homens.
Johnson teve que se desculpar depois de ter vindo à tona que ele foi informado de que Pincher já havia sido alvo de acusações de má conduta sexual antes de ter sido indicado para o posto de encarregado de disciplinar a bancada do Partido Conservador no Parlamento. O premiê disse que havia se esquecido do ocorrido.
O caso de Pincher junta-se a outros semelhantes no Partido Conservador nos últimos meses. Em meados de maio, um deputado suspeito de estupro foi preso e depois libertado sob fiança. Em abril, outro legislador renunciou por ver pornografia em seu celular. E um ex-deputado foi condenado em maio a 18 meses de prisão por agredir sexualmente uma menina de 15 anos.
Além disso, Johnson enfrenta uma investigação parlamentar sobre se ele mentiu em sua defesa sobre o chamado “Partygate”, as festas realizadas na residência oficial de Downing Street durante a pandemia de coronavírus.
A crise política soma-se, ainda, às dificuldades que o país enfrenta para se adaptar à saída da União Europeia (UE) em 2020.
*Com informações da Sputnik Brasil e DW.
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