Ao escritor e querido amigo, Cyro de Mattos!
Em tupi, guarajuba significa periquito amarelo com penas verdes. Significa, também, peixe marinho da família dos Carangídeos. Para quem conhece o lugar, como morador ou visitante, Guarajuba é um paraíso equiparável aos mais aprazíveis do Globo Terrestre, em razão do conjunto dos fatores naturais e culturais que enriquecem esse espaço privilegiado que dista, apenas, uma hora de Salvador.
Convidados por João Carlos Vieira da Silva Telles e Deoclides Barreto de Araújo, queridos colegas no curso de Direito que concluímos juntos, no ano de 1963, fomos, eu e Lídice, passar o carnaval do remoto ano de 1968, acampados entre os lotes que ambos adquiriram à beira-mar, na praia de Itacimirim. À época, João era casado com a competente odontopediatra Kátia Dias e Deoclides com Leda Almeida. Cada um dos três casais tinha apenas os filhos primogênitos: nós, Joaci Filho; Kátia e João, Leonardo e o casal Leda-Deoclides, Ricardo.
Fiquei tão empolgado com a beleza do lugar que pedi para ser apresentado ao corretor, o já, então, ex-prefeito de Camaçari, o simpático Hermógenes Bispo de Souza, através de quem adquirimos, sucessivamente, uma grande área de propriedade do jornalista João da Costa Falcão, em Itacimirim, e duas outras, ainda maiores, a Fazenda Carro, de Gerson Figueiredo de Oliveira, e a Fazenda Guarajuba do presidente do CREA, engenheiro civil José Nunes de Matos Filho, no ano de 1973. As duas áreas totalizavam 1.707.838,38m²
O processo de aprovação do projeto, de autoria do arquiteto espanhol Ramon Pedregal consumiu dois anos para superar a resistência de um dos arquitetos do departamento de obras da Prefeitura de Camaçari que insistia na passagem pela beira-mar da via de penetração do empreendimento Canto do Mar. Como socialista, sustentava ele, sentia que era seu dever colocar gosto ruim na vida dos mais endinheirados que adquirissem áreas de frente para o oceano, meio de minimizar o ressentimento dos que não tivessem acesso ao mesmo privilégio. A redentora mediação do urbanista Lúcio Costa, favorável à solução que foi adotada, conforme pensava, igualmente, o arquiteto Manoel Lorenzo, também integrante da equipe dirigente de Camaçari, pôs fim ao conflito, evitando a repetição do lamentável erro da implantação da Av. Otávio Mangabeira, sobre a praia, no trecho Amaralina – Itapoã, de amarga memória.
O resultado é o que se vê: a bela orla de Guarajuba accessível a todos, sem a incômoda e ameaçadora intercessão de uma rodovia para automóveis interrompendo o agradável diálogo das pessoas com o oceano infinito que, no Nordeste Brasileiro, oferece agradável banho de mar ao longo dos 365 dias do ano, 24 horas por dia. Sem dúvida, uma das maiores e privilegiadas exceções do Planeta. Explica-se o acentuado crescimento do número de proprietários que vêm transformando em permanente a casa que edificaram para veranear. O espírito associativo dos moradores contribui para a manutenção da excepcional qualidade da infraestrutura de lazer, valorizada por uma segurança que nos liberta das tensões dominantes Bahia e Brasil afora. A crescente valorização imobiliária decorrente, para venda ou para aluguel, em qualquer mês do ano, é de evidência palmar.
Acreditamos não haver excessos em dizer que Guarajuba é um dos destinos mais agradáveis do Planeta, onde, inclusive, as pessoas robustecem a crença em fazer do Brasil uma grande Nação, na medida em que continue a crescer o número dos brasileiros, moral e mentalmente saudáveis, decididos a não votar em ladrões.
*Joaci Fonseca de Góes, advogado, jornalista, empresário, ex-deputado federal constituinte e presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia (IGHB).









