Seca na Somália deslocou um milhão de pessoas dentro do país, afirma ONU

Uma seca arrasadora na Somália atingiu níveis sem precedentes e deixa 1 milhão de pessoas como deslocadas internas. Os números foram divulgados na quinta-feira pela Agência da ONU para Refugiados, Acnur, e pelo Conselho Norueguês para Refugiados.

Apenas nos primeiros sete meses deste ano, a seca deixou mais 755 mil pessoas deslocadas no país. A Somália atravessa um período histórico de seca de dois anos, algo que não se via há 40 anos, além de uma quinta estação com chuvas abaixo dos níveis esperados.

Financiamento urgente

Para o diretor nacional do Conselho Norueguês para Refugiados, Mohamed Abdi, o marco de 1 milhão serve como um grande alarme para a Somália. Ele adiciona que a fome agora está assombrando todo o país. E é possível observar cada vez mais famílias, forçadas a deixar tudo para trás, porque não há água ou comida em suas aldeias.

Mohamed Abdi afirma que o financiamento tem que chegar o mais rapidamente possível “antes que seja tarde demais”.

A tendência aponta que o número de somalis em níveis de fome deve subir para mais de 7 milhões nos próximos meses, agravado pelos efeitos das mudanças climáticas e pelo aumento dos preços dos alimentos, após o conflito na Ucrânia.

Apelo à comunidade internacional

Segundo a representante do Acnur na Somália, Magatte Guisse, as comunidades vulneráveis são as mais atingidas pelos efeitos da crise climática, deixando muitas famílias desprotegidas e aumentando o deslocamento.

Ela destaca que a situação no país já era uma das mais subfinanciadas mesmo antes desta crise. Magatte Guisse afirma que o Acnur os parceiros humanitários estão fazendo o que podem para responder a situação, mas não há recursos suficientes.

A representante da agência de refugiados da ONU fez um apelo à comunidade internacional para que esforce a salvar vidas e a apoiar as ações humanitárias na Somália.

Em junho, o Acnur anunciou que precisa de US$ 9,5 milhões para o país africano, como parte de seu apelo regional para o Chifre da África, para ajudar as comunidades deslocadas afetadas pela seca.

*Com informações da ONU News.


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