Para o casal amigo Mariana Andion e Eduardo Queiroz.
Para os que ainda resistem em aceitar ou têm limitações intelectuais para compreender a relação linear crescente entre educação, desigualdade e bem-estar social ou econômico, os dados da Bahia, comparados aos do Brasil, são suficientes para convencer até os, intelectualmente, mais rudes de que, fora da universalização ao acesso de educação de boa qualidade, as promessas de reduzir as desigualdades econômico-sociais não passam de manobras eleitoreiras de demagogos e espertalhões anéticos que se aproveitam da ignorância de populações infelizes, como as dos países subdesenvolvidos, para empolgar o poder e neles cevarem seus apetites inferiores de mando e enriquecimento ilícito.
Apesar de figurar na quarta posição em matéria populacional, no Brasil, abaixo dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, a Bahia ocupa o primeiro lugar no número de beneficiários do programa Auxílio Brasil, com um total de 2.537.318 famílias, seguindo-se São Paulo, com 2.4 milhões de famílias, Rio de Janeiro, com 1.7 milhões, e Minas, com 1.5 milhões de famílias. Em número de pessoas desempregadas e de homicídios, a Bahia, também, lidera, como em número de analfabetos, de sub-habitações, de tuberculosos, chagásicos e morféticos, além do maior número de pessoas, nove milhões, sem acesso a saneamento básico. Segundo a Oxfam, maior ONG do Planeta, dedicada ao estudo das desigualdades entre os povos, a longevidade média das pessoas que têm acesso a saneamento é de 79 anos, contra 54 anos dos que não têm. Tragédia permanente que mata algumas vezes mais do que a Covid 19 em seu pior momento. Impressiona o silêncio ou omissão bovina dos baianos e brasileiros relativamente a essas questões de fundamental interesse para nosso bem-estar coletivo.
No plano da educação, como se sabe, a Bahia passou a ocupar o último lugar no Brasil, tragédia a respeito da qual, pouco ou quase nada se fala, como se nosso Estado estivesse a cavaleiro do reconhecimento universal de que na sociedade do conhecimento, em que passamos a viver a partir da década de 1970, a educação deixou de ser um ornamento da aristocracia para se transformar na causa fundamental da prosperidade das pessoas e dos povos. Compare-se a pequenez de recursos naturais dos países europeus, com a exceção da rica Noruega, com o nível elevado de seu padrão de vida, com o rico-pobre Brasil, onde a desigualdade impera, mercê da baixa qualidade da educação que pratica, e nele, a paupérrima educação vigorante na Bahia.
Albert Einstein definiu a loucura como sendo a inútil busca permanente de diferentes efeitos para uma mesma causa. Sob essa ótica, os que comparecem às urnas, pensando em resolver os graves problemas sociais, éticos e econômicos da Bahia e do Brasil, ignorando essa lição palmar, já do pleno domínio do mundo civilizado, o de que mais necessitam é de tratamento psiquiátrico, para uns, recuperação moral, para outros, e do mínimo de iluminação ou de aufklärung, como diria Kant, para os demais.
Os resultados das urnas, a serem abertas, muito brevemente, nos informarão do nosso contingente de enfermos mentais, além do número de brasileiros que desejam ser governados por ladrões.
*Joaci Góes, advogado, jornalista, empresário, ex-deputado federal constituinte e presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia (IGHB).







