O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a volta da fome no Brasil e o fato de um Estado como Minas Gerais contabilizar hoje dois milhões de pessoas em insegurança alimentar. Em entrevista coletiva em Montes Claros, nesta quinta-feira (15/09/2022), Lula afirmou que isso acontece porque o presidente Bolsonaro não trabalha.
“O governo prefere ficar contando lorotas, prefere ficar contando mentiras do que governar. O que a gente está percebendo é que ele não trabalha mais. Ele nunca governou. Agora ele não governa e não trabalha”, disse, criticando também o desmonte do programa Farmácia Popular, muito importante para garantir aos mais pobres acessos aos medicamentos.
Lula lembrou o fim do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) no governo Bolsonaro e também mencionou o fato de o valor de repasse do governo federal para a merenda escolar estar há cinco anos sem reajuste. “Isso significa que a qualidade da merenda escolar caiu profundamente”, disse, acrescentando que a fome não tem tempo de esperar.
“Quem está com fome, precisa comer e o governo tem que trabalhar de forma muito rápida para aumentar a capacidade produtiva do país, para baratear o custo do alimento e fazer para aquelas pessoas que não podem comprar até o governo dar o alimento, sem nenhum bandido ameaçando a liberdade política de qualquer pessoa que precisa de uma cesta básica”.
A fome é feia
Em ato público após a conversa com os jornalistas, Lula voltou a abordar o drama da falta de comida nos lares brasileiros e lembrou que os governos petistas tiraram o Brasil do Mapa da Fome, fizeram com que 36 milhões de pessoas saíssem da situação de miséria absoluta e outros 42 milhões atingissem poder de consumo de classe média baixa. “As pessoas estavam felizes. As pessoas tinham dinheiro para comprar o que comer, as pessoas tinham dinheiro para viajar, as pessoas tinham dinheiro para ir no restaurante uma vez por mês levar seus filhos”, disse, afirmando ainda que a inclusão social, com pobres podendo viajar de avião, incomodou alguns que achavam que os aeroportos estavam virando rodoviária.
Lula afirmou que o Brasil, maior produtor de carne do planeta, não pode continuar assim, com pessoas na fila do açougue em busca de osso para a sopa ou comendo carcaça de frango, pescoço e pé por não ter dinheiro para compra peito de frango ou sobrecoxa. “As pessoas quando não comem vão ficando com o rosto sofrido, porque a fome é feia. A fome é dolorida e eu sei o que é a fome porque fui comer pão pela primeira vez com 7 anos de idade. E eu sei o que que é uma mãe de manhã levantar com vontade de dar um bom café para seu filho e não ter, de dar almoço e não ter”.
Voltar a gerar emprego
Lula lembrou do legado de seus governos, disse ter orgulho de ter acabado com a fome no Brasil e que não imaginava que a insegurança alimentar grave fosse voltar com a velocidade que voltou. “A fome não é só um problema de dinheiro. A fome não é só um problema de produção de alimento. A fome não é só um problema de seca. A fome é resultado da falta de vergonha na cara das pessoas que governam o país. Sobretudo um país do tamanho do Brasil, com a capacidade produtiva do Brasil, com a capacidade de emprego rápido do Brasil”.
O ex-presidente lembrou do papel do Minha Casa Minha Vida para geração de empregos no Brasil e lembrou dos retrocessos no mercado de trabalho com o governo Bolsonaro com muitas pessoas trabalhando na informalidade, sem nenhuma proteção social. “Nós vamos voltar a investir na geração e emprego porque vamos reestruturar as obras que estão paralisadas”, disse apontando também financiamento para pequeno e microempresário como alternativas de geração de emprego e oportunidades de trabalho.
“É preciso adequar a relação entre trabalho e capital ao século XXI”
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nessa quinta-feira (15/09/2022) que é necessário abrir um diálogo entre Estado, universidades, empresários e sindicatos para criar novos empregos na “era da tecnologia”, uma vez que os avanços reduziram a necessidade de mão de obra em diversos setores.
“Estamos ávidos com isso, nosso programa já estabeleceu que vamos fazer muita discussão. Vamos colocar universidades e empresários para discutir juntos com trabalhadores como é que a gente vai nortear a nova relação de capital e trabalho. Queremos algo mais moderno, civilizado, em que a gente não prenda o empresário à legislação de 1943, e nem libere o trabalhador para não ter nenhum direito e ser tratado muitas vezes como escravo”, completou Lula.
Lula explicou que seu projeto de governo tem como objetivo rediscutir a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) sancionada em 1943 pelo então presidente Getúlio Vargas, não voltando ao modelo do passado, mas adequar a realidade da relação de trabalho e capital ao século XXI.
A ideia, afirmou, é entender como funciona o mundo de trabalho hoje em dia para adequar direitos aos trabalhadores sem causar prejuízos a pequenas e médias empresas.
Aplicativos
Durante coletiva de imprensa em Montes Claros, norte de Minas Gerais, Lula falou que participou recentemente de uma reunião com o Governo da Espanha para discutir novas formas de trabalho. Em 2021, numa decisão inédita, governo espanhol, sindicatos e empregadores decidiram incluir na legislação trabalhista entregadores de aplicativos.
“Nós fomos aprender com a Espanha como a gente faz que essa gente tenha o mínimo de seguridade social, o mínimo de direitos, inclusive sentar na mesa com as empresas de aplicativos para que os trabalhadores conheçam os algoritmos e possam decidir como vai ser o trabalho deles. No Brasil nós temos um empresário invisível, ninguém sabe quem é”, criticou.
“Nós precisamos acabar com a violência contra a mulher”
Lula esteve nesta quinta-feira (15/09/2022) em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, em comício ao lado de Alexandre Kalil, candidato ao governado, e Alexandre Silveira, ao Senado.
“Nós precisamos acabar com a violência contra a mulher nesse país. A mulher não pode ser tratada como objeto de cama e mesa, a mulher não pode ser tratada ganhando menos que o homem, fazendo a mesma função. A mulher não nasceu só para lavar louça, arrumar cama, lavar banheiro, e cuidar do marido, não! A mulher nasceu para fazer o que ela quiser”, declarou.
Lula disse também que uma pessoa não pode viver com um homem “por causa de um prato de comida para os seus filhos” e defendeu a independência das mulheres. Como exemplo, ele citou a história da mãe, Dona Lindu, que saiu no sertão pernambucano rumo a São Paulo nos anos 1950, mas encontrou o marido com outra família e mesmo assim não se curvou aos caprichos de um homem machista.
“Marido que tem vergonha não bota filho no mundo para Deus criar, bota filho no mundo para ele criar. E a minha mãe, sem medo nenhum, criou oito filhos. Eu tinha sete anos, eu vendia tapioca, eu vendia amendoim, eu vendia laranja, meus irmãos vendiam sardinha, a gente conseguiu sobreviver, e eu tenho na minha mãe um orgulho que vale para todas mulheres”, disse.
O ex-presidente também reforçou que a população precisa eleger deputados e senadores de sua base aliada para ajudar na reconstrução do Brasil, que voltou para o Mapa da Fome das Nações Unidas e bate recordes de desemprego.
Kalil recordou que foi Lula tirou do candeeiro os mineiros da região Norte com o programa Luz Para Todos, e alertou que a democracia corre riscos com Jair Bolsonaro. “Eleger Lula presidente é questão de sobrevivência. Nós temos que pregar o voto útil neste país. Não temos solução, ou votamos para eleger Lula, ou quem apertar outro número vai votar pela última vez”, afirmou.
No ato na Praça da Catedral reuniu lideranças locais e nacionais, como Randolfe Rodrigues, senador do Amapá, e André Quintão, que disputa o cargo de vice-governador de Minas Gerais.
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