Feirense é uma das personalidades de destaque da exposição permanente do Museu do Ipiranga em São Paulo; Maria Quitéria é ícone da luta feminina pela independência do Brasil

Pintura de Maria Quitéria de Jesus Medeiros (Soldado Medeiros) é um dos destaques da exposição permanente do Museu do Ipiranga, em São Paulo.
Pintura de Maria Quitéria de Jesus Medeiros (Soldado Medeiros) é um dos destaques da exposição permanente do Museu do Ipiranga, em São Paulo.

No Novo Museu do Ipiranga, sediado em São Paulo, o público vai se deparar com 12 exposições, sendo 11 de longa duração e uma mostra temporária. As de longa duração são divididas em dois eixos temáticos: ‘Para entender a sociedade’ e ‘Para entender o Museu”’. A exposição de curta duração, Memórias da Independência, estará aberta por quatro meses a partir de novembro de 2022. No total, serão expostos 3.058 itens pertencentes ao acervo do Museu, 509 itens de outras coleções e 76 reproduções e fac-símiles.

A maior parte dos objetos data dos séculos 19 e 20, mas há itens mais antigos, que remontam ao Brasil colonial. As mostras contemplam pinturas, esculturas, objetos, móveis, moedas, documentos textuais, fotografias, objetos em tecido e madeira que trazem discussões sobre a sociedade brasileira, desde a esfera íntima da casa até a vida social, e sobre o próprio museu, suas atribuições e funcionamento.

O novo espaço expositivo abrange todas as áreas do Edifício-Monumento, incluindo espaços antes sem acesso ao público, e outros que não existiam. Desta forma, a área de exposições triplicou, passando de 12 para 49 salas expositivas, o que significa um número recorde de acervos do Museu expostos.

O circuito conta com 70 peças multimídia, salas imersivas, espaços interativos e acessibilidade, com cerca de 390 recursos multissensoriais disponíveis para todos os públicos, como telas táteis, maquetes e réplicas ampliadas de diversos itens do acervo.

A restauração 

“De 2013 a 2022, o Museu do Ipiranga enfrentou diversas tarefas difíceis, mas sempre com uma equipe multidisciplinar de especialistas”, conta a diretora da instituição, professora Rosaria Ono. Até 2017, foram realizadas a avaliação e prognóstico do edifício, a retirada de todo o acervo e realocação das obras em reservas técnicas, e a abertura de edital público para escolha do projeto arquitetônico. Em seguida, foi feita a captação de recursos, e as obras foram iniciadas em outubro de 2019.

“Desde então, foram menos de três anos, passando por uma pandemia, em que foram realizadas as obras de restauro, ampliação e modernização, incluindo tecnologias de ponta para combate anti-incêndio e medidas de sustentabilidade”, comenta. A acessibilidade foi assegurada em todos os espaços, com a instalação de rampas, elevadores e plataformas elevatórias, além de piso podotátil e mapas visutáteis. O Jardim Francês e suas fontes também foram contemplados.

Juntamente às obras de restauro e ampliação, foram realizados restauros e inspeções em mais de 3 mil objetos do acervo que estarão expostos na reabertura. Dentre eles, encontram-se 122 pinturas e duas maquetes de grande porte. Algumas obras, por suas dimensões, não saíram do prédio histórico e foram restauradas in loco — é o caso do quadro Independência ou Morte, de Pedro Américo, da maquete São Paulo em 1841, do holandês Henrique Bakkenist, e das estátuas de mármore e bronze.

Maria Quitéria é pintura de destaque 

A pintura de Maria Quitéria de Jesus Medeiros (Soldado Medeiros) é um dos destaques da exposição permanente do Museu do Ipiranga, em São Paulo.

O retrato de Maria Quitéria é uma pintura de Domenico Failutti, pintada em 1920, por ocasião das comemorações do Centenário da Independência do Brasil. A obra é do gênero pintura histórica e foi encomendada para compor o Salão de Honra do Museu do Ipiranga em São Paulo. Retrata a combatente baiana Maria Quitéria, que pegou em armas na campanha independentista da Bahia, durante a Guerra da Independência do Brasil.

Descrição da pintura de Maria Quitéria

Na pintura, Maria Quitéria é representada em trajes militares e segurando com um mosquete com as mãos. O fardamento é típico do Batalhão dos Periquitos, que ganhou essa alcunha devido à cor amarela nos punhos e na gola do uniforme azulado. A paisagem que circunda a figura tem características idealizadas, mas que remetem ao Recôncavo baiano, palco dos combates em Quitéria participou. O rio que corre em direção ao horizonte faz referência ao Rio Paraguaçu, que margeia a cidade de Cachoeira e desemboca na Baía de Todos-os-Santos.

Maria Quitéria ostenta em seu peito esquerdo a insígnia de Cavaleiro da Imperial Ordem do Cruzeiro, distinção oferecida por Dom Pedro I àqueles que se notabilizaram no processo de Independência do Brasil. É de se notar, no entanto, que a insígnia original é formada por uma estrela branca de cinco pontas bifurcadas e maçanetadas,[2] diferente, portanto, da estrela de quatro pontas presente no retrato.

A obra foi produzida com tinta a óleo. Suas medidas são: 233 centímetros de altura e 133 centímetros de largura. Faz parte de Museu do Ipiranga, localizada no Salão de Honra do Eixo Monumental.

Análise da pintura de Maria Quitéria

A obra foi encomendada pelo diretor do Museu Paulista, Afonso d’Escragnolle Taunay, no centenário da Independência do Brasil. Na encomenda, o diretor do museu pediu que Domenico Failutti se baseasse na gravura publicada em Diário de uma viagem ao Brasil da inglesa Maria Graham. A gravura é baseada no desenho de Augustus Earle, também inglês, que viveu no Rio de Janeiro nos anos 1820. Taunay atribuía à produção dos viajantes europeus um estatuto de verdade documental. Na sua concepção de teoria histórica, também as obras produzidas a partir dessas fontes consideradas fidedignas seriam, elas próprias, documentos históricos.

Domenico Failutti foi responsável ainda pelo retrato de Sóror Joana Angélica, que figura na Galeria de Próceres da Independência, alocada no alto da escadaria. A escolha do artista para as encomendas, de acordo com o relatório escrito por Afonso Taunay, veio diretamente do presidente do estado de São Paulo à época, Washington Luís.

O retrato foi concebido para dar um sentido ao papel das mulheres na formação nacional brasileira. O quadro de Quitéria criaria um paralelismo com o Retrato de Dona Leopoldina de Habsburgo e seus filhos, também localizado no Salão de Honra. Ambos os quadros representariam distintos lugares a serem ocupados pelas mulheres no imaginário nacional. Por um lado, a guerreira e, de outro, a figura materna. O retrato de Joana Angélica, por sua vez, evoca o lugar da mártir.

Para alguns autores, a condecoração em Quitéria, a insígnia de Cavaleiro da Imperial Ordem do Cruzeiro, é uma forma de reconhecer também Dom Pedro I, que reconheceu a militar.

Agenda

O Museu do Ipiranga funciona de terça a domingo, das 11h às 17h, e no mês de setembro, seguirá em esquema de soft opening, com cerca de mil visitantes por dia. Haverá bicicletário e estacionamento para público PCD. O Jardim Francês tem entrada livre, das 11h às 20h.

*Com informações da Wikipédia.


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