Um ato político para marcar o tradicional Grito das Excluídas e dos Excluídos, nesta quarta-feira (07/09/2022), será realizado em Feira de Santana. A mobilização ocorrerá às 8h, em frente à Igreja dos Capuchinhos, na Avenida Presidente Dutra. Com o tema ‘Vida em primeiro lugar. Brasil: 200 anos de (in) dependência para quem?’, o cortejo deste ano chama a atenção para as comemorações pelo bicentenário, atravessado por ameaças antidemocráticas do governo Bolsonaro e por uma grave crise social e política, responsável pelo aumento da pobreza em ritmo acelerado. A diretoria da Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Feira de Santana (Adufs), assim como ocorre há diversos anos, estará presente às ruas.
Movimentos sindical e social, pastorais e entidades ligadas às igrejas mobilizam-se em defesa dos setores oprimidos do país, maiores prejudicados do processo histórico de desigualdades advindas da época do colonialismo. Através de falas, faixas, cartazes e bandeiras serão denunciados o desemprego, a violência, a inflação, a destruição ambiental, a fome, o aumento do custo de vida, o subfinanciamento da saúde e educação, as violações aos direitos dos povos indígenas e quilombolas, a ameaça do governo Bolsonaro à democracia, a corrupção histórica e contínua, os crimes contra negras/os e mulheres, entre outros ataques. As diversas categorias de trabalhadores presentes ao protesto também apresentarão pautas específicas e reivindicarão melhorias aos governos Rui Costa e Colbert Martins.
Em contraponto à comemoração oficial pelo bicentenário da independência do Brasil, os manifestantes destacarão a dependência do Brasil ao sistema da dívida. São dois séculos de empréstimos para pagar a dívida herdada de Portugal, sem contrapartida em investimentos para o desenvolvimento do país. A dívida pública “consome cerca de 40% do dinheiro do orçamento federal todo ano e nunca foi integralmente auditada, apesar das diversas ilegitimidades e ilegalidades históricas, comprovadas até por Comissões do Congresso Nacional”, segundo a Auditoria Cidadã da Dívida, associação, sem fins lucrativos, que tem entre os objetivos realizar, de forma cidadã, auditoria da dívida pública brasileira, interna e externa, federal, estaduais e municipais. Ainda conforme a Auditoria Cidadã, em 2021, “o governo federal gastou R$ 1,96 trilhão com juros e amortizações desta dívida, o que representa um aumento de 42% em relação ao valor gasto em 2020 que, por sua vez, já tinha sido 33% superior a 2019. Portanto, nos últimos dois anos, os gastos financeiros com a dívida federal quase dobraram”. A subserviência da nação ao sistema da dívida relega às políticas sociais um investimento mínimo, impactando de forma devastadora nas condições de vida da população, principalmente a mais empobrecida.
O Grito das Excluídas e dos Excluídos é realizado em todo o país desde 1995. Além de compor o protesto, a diretoria da Adufs participa da sua discussão e organização em Feira de Santana.









