Na ONU, brasileiros apresentam projetos para proteger a Terra

Especialistas do Brasil participaram do Diálogo Interativo das Nações Unidas sobre Harmonia com a Natureza nesta sexta-feira (22/09/2022). Eles ressaltaram uma prática indígena e o impacto de uma nova lei local.

As iniciativas foram apresentadas aos representantes dos Estados-membros, participantes e especialistas no Dia Internacional da Mãe Terra, e podem servir de modelo para o mundo depois de aplicados em regiões brasileiras.

Bem Viver

Integrante da Plataforma da ONU sobre Harmonia com a Natureza, a advogada Vanessa Hasson é diretora na ONG Métodos de Apoio à Práticas Ambientais e Sociais, Mapas.

Ela apresentou o conceito da Escola do Bem Viver. Localmente conhecida como escola viva, a ideia nasceu num município do estado de São Paulo e quer alcançar o mundo. A inspiração veio de práticas de povos indígenas.

“Ela quer precisamente oferecer as pessoas a possibilidade de reconectar com os demais membros da natureza. Nós trabalhamos com vivências em meio natural e a prática da arte. Então, é a arte em imersão na natureza, a arte após a imersão na natureza e arte a com elementos da natureza, para que os seres humanos possam raciocinar. Não mais por esse raciocínio que é o raciocínio que dizemos ser ocidentalizado ou mecanicista, mais fazer esse raciocínio, como dizia Leonardo Boff para o coração, do coração.”

Direitos da Natureza

A Escola do Bem Viver quer replicar o modelo em territórios latino-americanos onde estão sendo debatidos os direitos da natureza. Também está prevista a chegada a um país europeu até o final de 2022.

“É uma forma de entendimento que parte do coração para ir ser elaborada em nível mental: de que somos natureza. Devemos antes escutar a natureza para reaprender a se relacionar com os demais membros da natureza. A escola do Bem Viver foi inaugurada em Bertioga, uma cidade praiana, São Paulo, em meio a Mata Atlântica. E já temos parceria com alguns países do mundo. É uma metodologia replicável que pode se multiplicar pelo mundo todo. Dentro do princípio de que as comunidades locais trazem o seu próprio conceito, conhecimento do que é o bem viver e assim vamos espalhando pelo mundo com respeito às diversidades locais, inclusive as de seres humanos, esse resgate da vida em harmonia com a natureza.”

Florianópolis

Outra experiência do Brasil veio de uma cidade de meio milhão de habitantes para o diálogo interativo intitulado “Lei centrada na Terra para proteger a biodiversidade em harmonia com a natureza”. O vereador de Florianópolis, Marcos José de Abreu, defendeu que uma emenda na legislação destaca que a Terra não deve ser somente vista como recurso, mas como uma forma de vida.

“E nós, em 2019, aprovamos uma emenda à lei orgânica, que é como se fosse a  Constituição Municipal e ao ser orgânica ela atribuiu a natureza como sujeito de direitos. Reconheceu a natureza como sujeito de direitos. Primeiro,  aprovar uma Eemenda à lei orgânica, uma emenda constitucional é uma tarefa bem difícil. Porque é preciso ter ampla maioria, dois terços do plenário votando favorável. Dois terços assinando contigo essa proposta. E com isso a gente conseguiu aprovar e foi um grande feito.”

Ele defende a importância de se abordar esse paradigma em leis municipais, estaduais e federais, assim como em legislações pelo mundo.

“É legal saber aqui a entendimento da natureza como um sujeito de direitos, como instrumento jurídico vem da 71ª sessão da Assembleia Geral da ONU como um instrumento global. O entendimento da natureza como um sujeito de direitos é uma das práticas das populações tradicionais, que não tinham uma dissociação sobre a natureza. E faz um marco muito estabelecido em termos jurídico-legal mostrando que a natureza não é só um bem a ser explorado, não é só um recurso, mas a natureza é um sujeito: ela tem formas de vida. As populações tradicionais, as originárias do mundo inteiro, seja da Oceania da Ásia e da África, das Américas ela demonstram e entendem um rio como um ente às vezes como um avô e como um ser da própria família. Uma montanha, um vale, uma região, um animal e uma árvore não têm uma dissociação. Trata-se como alguém também insociável.”

Marcos de Abreu alerta que a atual discussão acontece em momento em que recursos do ambiente são escassos, limitados e estão no auge da exploração.

Mudança

O presidente da Assembleia Geral da ONU enfatizou na abertura da sessão a necessidade de investimentos em setores como educação, tecnologia e ciência. Abdullah Shahid pediu uma mudança rumo a economias verdes.

O líder disse que o mundo deve usar ferramentas e metas do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável como planos para uma recuperação sustentável da Covid-19.

Entre as figuras de alto nível presentes no evento estiveram o presidente boliviano Luís Arce, e a vice-presidente da Espanha e ministra de Transição Ecológica, Teresa Ribera.

*Com informações da ONU News.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.



Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading