Presidente Vladimir Putin assina decreto sobre mobilização parcial na Rússia; Reservistas são convocados e arsenal nuclear está ativo

Durante o seu discurso nesta quarta-feira (21/09/2022), o presidente russo Vladimir Putin falou sobre o andamento da operação militar especial para a desmilitarização e desnazificação da Ucrânia e a libertação de Donbass, bem como medidas para proteger a soberania e integridade da Rússia.

Em seu discurso, o chefe de Estado disse que assinou o decreto para mobilização parcial na Rússia. De acordo com ele, as atividades de mobilização na Rússia começarão nesta quarta-feira (21).

“Para proteção da nossa Pátria, sua soberania e integridade territorial, para garantir a segurança de nosso povo e das pessoas nos territórios libertados, considero necessário apoiar a proposta do Ministério da Defesa e do Estado-Maior para realizar uma mobilização parcial na Federação da Rússia”, disse Putin.

Putin ressaltou também que serão recrutados apenas os cidadãos que estão em reserva. Em primeiro lugar, aqueles que cumpriram o serviço militar e têm experiência. Eles receberão treinamento adicional baseado na experiência da operação militar especial da Rússia na Ucrânia.

“Antes de serem enviados para as unidades, os recrutados deverão obrigatoriamente passar por treinamento militar, levando em conta a experiência da operação especial”, disse o presidente russo.

Segundo explicou o ministro da Defesa da Rússia Sergei Shoigu em um discurso separado, a mobilização parcial é necessária para controlar a linha de contato, que tem uma extensão de mil quilômetros, bem como os territórios libertados.

De acordo com o decreto para a mobilização parcial na Rússia, os chefes das regiões russas foram instruídos a prover recrutamento para o serviço militar conforme a mobilização parcial na quantidade e nos termos estabelecidos pelo Ministério da Defesa, informa o serviço de imprensa do Kremlin.

O decreto da mobilização parcial na Rússia, que entrou em vigor nesta quarta-feira (21), estipula:

  • Recrutar cidadãos da Federação da Rússia para o serviço militar nas Forças Armadas da Federação da Rússia. Cidadãos da Federação da Rússia, que foram recrutados para o serviço militar pela mobilização, recebem status de militares de serviço militar nas Forças Armadas da Federação da Rússia por contrato.
  • Estabelecer que o nível de salários dos cidadãos da Federação da Rússia, que foram convocados para o serviço militar por meio da mobilização para as Forças Armadas da Federação da Rússia, corresponda ao nível de salários dos militares que exercem serviço militar nas Forças Armadas da Rússia por contrato.
  • Conceder aos cidadãos da Rússia que trabalham em organizações do complexo militar-industrial o direito de adiar o seu recrutamento para mobilização (enquanto trabalham nestas organizações). As categorias de cidadãos da Federação da Rússia, que têm direito ao adiamento de incorporação ao serviço militar, e o procedimento para a concessão de adiamento são determinados pelo governo da Federação da Rússia.

300.000 reservistas mobilizados

O ministro da Defesa, Sergei Shoigu, informou que 300.000 reservistas são afetados por esta ordem de mobilização para que a Rússia possa atingir os objetivos de sua “operação militar”. Isso equivale a apenas “1,1% dos recursos mobilizáveis”. A Rússia luta “tanto contra a Ucrânia, quanto contra o Ocidente”, afirmou Shoigu.

A ordem para o recrutamento dos reservistas entra em vigor a partir desta quarta-feira (21). O decreto foi publicado no site do Kremlin.

O embaixador americano em Kiev considerou a medida um “sinal de fraqueza” da Rússia, frente à falta de pessoal para continuar a ofensiva na Ucrânia, que já dura quase oito meses.

Muitos observadores acreditam que o Kremlin subestimou a capacidade de resistência dos ucranianos, motivados e armados pelo Ocidente. O Exército russo sofreu muitas perdas diante das contraofensivas ucranianas nas regiões de Kherson (sul) e Kharkiv (nordeste), onde as forças de Moscou foram forçadas a recuar.

De acordo com Shoigu, o Exército russo perdeu 5.937 soldados desde o início da ofensiva, um número oficial bem acima do anterior, mas bem abaixo das estimativas ucranianas e ocidentais, que relatam dezenas de milhares de mortos.

Novos ataques à central nuclear

No terreno, os combates e os bombardeios continuam. As autoridades ucranianas acusaram a Rússia, nesta quarta-feira, de ter bombardeado novamente a maior central nuclear da Europa. “Terroristas russos bombardearam a usina nuclear de Zaporíjia novamente durante a noite”, disse o operador estatal de usinas nucleares ucranianas, Energoatom, no Telegram. “A taxa de radiação no local está no nível normal” e as “descargas” radioativas no meio ambiente “não excedem os padrões autorizados”, tranquilizou a administração da central.

O bombardeio danificou, contudo, uma linha de energia, causando a paralisação de vários transformadores do reator número 6 da usina. “Mesmo a presença de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) não para os russos”, alertou a empresa.

Kiev e Moscou se acusam mutuamente de chantagem nuclear. Na segunda-feira (19), Kiev acusou Moscou de ter bombardeado a usina nuclear de Pivdennooukrainsk, no sul da Ucrânia. No início da invasão, as forças de Moscou também ocuparam a usina de Chernobyl (norte), que foi palco do pior acidente nuclear da história, em 1986. Fechada desde 2000, a usina está localizada em uma área altamente contaminada por resíduos radioativos.

*Com informações da RFI e Sputnik Brasil.


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