Salvador: Teatro Vila Velha sedia curta temporada do espetáculo ’Do Outro Lado do Mar’

Espetáculo ‘Do outro lado do mar’ retorna ao palco do Teatro Vila Velha, antes de embarcar para o Rio de Janeiro.
Espetáculo ‘Do outro lado do mar’ retorna ao palco do Teatro Vila Velha, antes de embarcar para o Rio de Janeiro.

O espetáculo ‘Do outro lado do mar’ retorna ao palco do Teatro Vila Velha, em Salvador, para curtíssima temporada em Salvador antes de embarcar para o Rio de Janeiro. Depois de uma temporada de sucesso nos meses de janeiro e fevereiro de 2022, o público soteropolitano terá nova chance para assistir ao trabalho: entre 10 e 25 de setembro de 2022, aos sábados e domingos, sempre às 16 horas. Primeira versão brasileira da obra de Jorgelina Cerritos, aclamada autora de El Salvador, a montagem tem encenação de Marcio Meirelles, elenco formado por Andrea Elia e Edu Coutinho, e trilha sonora executada ao vivo por Ramon Gonçalves.

Montada em países como Cuba, Guatemala, Costa Rica e Estados Unidos, a peça ganhou a sua primeira tradução para o português pelas mãos de Edu Coutinho com a colaboração de Marcio Meirelles. Montada pela Companhia Teatro dos Novos junto ao Toró Teatro, essa é também a primeira versão no país de uma obra da autora salvadorenha Jorgelina Cerritos, que em 2010 conquistou o importante prêmio Casa de las Américas pela dramaturgia de “Do outro lado do mar”, originalmente intitulada “Al otro lado del mar”.

A trama se desenvolve em uma praia deserta, onde foi instalado um balcão de atendimento de um cartório municipal. Ali, uma funcionária pública dedicada e prestes a se aposentar espera sozinha alguém que apareça precisando do seu trabalho. De um barco chega um homem jovem, sem nome ou sobrenome, que não sabe onde nasceu, em busca da emissão de um documento que comprove a sua existência. Assim surge uma história carregada de poesia que, com aparente simplicidade, provoca uma profunda reflexão sobre o trabalho, a solidão e a identidade.

“A peça parte do conflito de um jovem personagem que, por não ter certidão de nascimento, oficialmente não existe. Embora pareça absurda, essa situação é realidade para 3 milhões de brasileiros e brasileiras que, sem registro civil, não têm acesso aos direitos mais básicos, como por exemplo o atendimento nos sistemas de saúde e educação”, comenta o ator Edu Coutinho. Ele lembra que, além do sentido literal do documento de identificação, o conceito de identidade é abordado pela obra em seus múltiplos significados e simbologias. “É um texto que capta o público pela beleza, pela poesia, e que aos poucos vai o fazendo pensar sobre os diferentes lugares sociais que as pessoas ocupam ou são levadas a ocupar”.

Depois da temporada em Salvador, o grupo viaja ao Rio de Janeiro e permanece em cartaz de 6 a 30 de outubro, de quinta a domingo, no renomado Teatro Poeira, espaço fundado e gerido pelas atrizes Andréa Beltrão e Marieta Severo. Em temporada no Teatro Poeirinha, o espetáculo baiano estará ao lado da peça “O Espectador”, que reúne no elenco as fundadoras da casa, Andréa Beltrão e Marieta Severo, com as atrizes Renata Sorrah e Ana Baird, sob direção de Marcio Abreu e Enrique Diaz.

“Esse é um projeto que nasceu no Teatro Vila Velha, que é uma grande incubadora de jovens atores e atrizes empreendedores. Quem vive da cultura em Salvador e em qualquer lugar, tem que fortalecer a natureza empreendedora. Esse projeto hoje está viajando porque tem o diretor Marcio Meirelles, e outras pessoas de referência no cenário teatral baiano que, com a força do empreendedorismo que nasce desde a formação do ator e da atriz, tem viabilizado o deslanchar desse espetáculo”, afirma a atriz Andrea Elia.

A autora salvadorenha Jorgelina Cerritos tem também sido uma parceira do projeto desde o início. É a primeira vez que um texto seu é montado por artistas brasileiros, embora o texto “Al otro lado del mar” já tenha sido encenado em seis países diferentes: “É muito significativo que a peça tenha a capacidade de dialogar com criadores, criadoras e espectadores da cena internacional, pois me confirma a universalidade e a força da palavra dramática, essa palavra que nos habita e nos fecunda para além das fronteiras”.


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