Em entrevista, Karen Kwiatkowski, ex-assessora do Pentágono, fez uma análise sobre a adesão das repúblicas populares de Donetsk (RPD) e Lugank (RPL), assim como as regiões de Kherson e Zaporozhie, ao território russo.
Segundo ela, a adesão de quatro novas regiões fornece à Rússia posições defensivas bem estabelecidas, enquanto a Ucrânia e os EUA parecem empenhados em escalar o conflito indefinidamente, anulando todas as perspectivas de paz.
O presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, assinou nesta terça-feira (04/10/222) um decreto sobre a impossibilidade de manter conversas com o presidente russo, Vladimir Putin, que pediu negociações de cessar-fogo após assinar acordos de adesão com líderes regionais na semana passada.
Enquanto isso, os EUA estão armando a Ucrânia em um ritmo vertiginoso, com o presidente Joe Biden chegando ao ponto de emitir uma ordem executiva ao Pentágono, na segunda-feira (3), que renuncia a requisitos legais para acelerar e expandir a produção e as compras de armas.
Karen Kwiatkowski explicou que a Rússia já tem a logística e o apoio popular nas quatro regiões que aprovaram a adesão “e agora estabeleceu uma posição defensiva”.
“O lado ao qual [os EUA] nos opomos acabou de votar como povo de língua russa para se juntar à Rússia, em um objetivo óbvio de acabar com a mortal guerra civil ucraniana, em andamento desde antes de 2014”, disse.
A mensagem dos EUA internamente, acrescentou a ex-assessora do Pentágono, é que o contribuinte dos EUA está pagando bilhões para salvar uma “democracia funcional” na Europa.
“O problema é que o lado que apoiamos baniu a maioria dos partidos políticos e todas as críticas a Kiev”, afirmou.
Para ela, há sinais claros de que muitos nos EUA se cansaram do conflito, com base em pesquisas recentes e como evidenciado pelo magnata dos negócios Elon Musk, que apresentou ideias em suas redes sociais para acabar com a crise.
Na avaliação dela, as lideranças políticas da Ucrânia e dos Estados Unidos desejam continuar a luta e estão despejando bilhões de dólares em ajuda militar no governo ucraniano e nas Forças Armadas deste.
“Os EUA continuarão enviando armas e ajuda militar para a Ucrânia para enfraquecer a Rússia como uma potência militar próxima e enriquecer as poderosas empresas que fabricam essas armas e financiam os políticos”, disse Kwiatkowski.
Esse conflito, acrescentou, agora se dá principalmente para justificar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e garantir que em grande parte a Europa permaneça economicamente e militarmente dependente dos Estados Unidos.
Presidente Vladimir Putin nomeia chefes interinos de quatro novas regiões russas
Após referendos em que os eleitores optaram pela adesão das regiões à Rússia, Putin e os chefes das quatro regiões assinaram tratados sobre sua adesão à Rússia em uma cerimônia organizada pelo Kremlin na sexta-feira (30/09/2022).
O presidente russo, Vladimir Putin, nomeou chefes interinos das quatro novas regiões russas que governarão até que os chefes das regiões sejam eleitos de acordo com a lei russa.
Os mesmos políticos que lideraram as regiões antes de sua adesão à Rússia mantiveram seus cargos. Denis Pushilin, que era um líder de protestos de língua russa na região de Donetsk após um golpe na Ucrânia, tornou-se chefe interino da República Popular de Donetsk (DPR). Pushilin participou de uma cerimônia em 7 de abril de 2014, quando o DPR foi criado, e em 2018 foi eleito chefe da república.
Leonid Pasechnik é agora chefe interino da República Popular de Lugansk (LPR). Em 2014, quando os protestos contra os eventos do Euromaidan e um golpe nacional começaram no sudeste da Ucrânia, ele ficou do lado da milícia popular da região de Lugansk e foi eleito chefe da república em 2018.
Os líderes das duas repúblicas de Donbass mantiveram o título de chefes, enquanto os chefes das outras duas regiões tornaram-se governadores interinos.
Yevgeny Balitsky, que chefiou a administração civil-militar da região de Zaporozhye, será o governador interino da região. A administração militar-civil foi formada nas áreas libertadas da região depois que estas foram tomadas pelas tropas russas. E Vladimir Saldo, anteriormente chefe da administração militar-civil da região de Kherson, tornou-se o governador interino da região.
Após referendos em que os eleitores optaram pela adesão das regiões à Rússia, Putin e os chefes das quatro regiões assinaram tratados sobre sua adesão à Rússia em uma cerimônia organizada pelo Kremlin na sexta-feira. Pushilin, Pasechnik, Balitsky e Saldo assinaram os documentos em nome das quatro regiões.
*Com informações da Sputnik Brasil e da Agência Tass.







