Para o querido amigo Luiz Ovídio Fisher!
Estendemos aos leitores desta coluna o pedido que vimos formulando nos últimos tempos: – Apontem, por favor, um país qualquer que apresente um desempenho para a qualidade de vida do seu povo abaixo do Brasil, levando-se em conta o conjunto de suas riquezas naturais. Até o momento não obtivemos qualquer resposta dissuasora dessa dolorosa constatação, mesmo quando analisamos as tragédias sociais de Cuba e Venezuela, relativamente, os países mais bem dotados do Continente Americano, mergulhados na pobreza, um, na miséria, o outro. No extremo oposto de desempenho excepcional, colocamos Israel e Singapura, cada vez mais ricos, não obstante as mendicantes riquezas naturais em que se apoiam.
Do quanto já lemos para explicar a momentosa questão, o livro Bandeirantes e Pioneiros, de Viana Moog, figura entre os que arrolam o maior número de razões, para explicar o enigma, ficando muito longe, porém, de esgotar o tema. Uma das maiores, se não a maior das razões, para dificultar a percepção coletiva dessa inquietante realidade são os números absolutos que levam os brasileiros a se ufanarem do seu País, perigosamente deitados em berço esplêndido: “Temos um dos maiores e mais ricos territórios, com uma grande população, enormes riquezas naturais, a mais extensa orla num só oceano, uma das maiores economias”, e por aí afora. A casa cai, porém, quando deparamos com as iníquas desigualdades entre as pessoas que compõem a sociedade brasileira, grande parte da qual à margem do bem-estar mínimo, relativamente às suas enormes possibilidades.
Entre os erros de perspectiva que, historicamente, vêm comprometendo o avanço do Brasil, figura como mais grave de todos nossa reiterada postura nacional de ignorar o papel fundamental da educação na prosperidade dos povos. Continuamos a ignorar, contra as mais enfáticas evidências, que não há investimento de maior retorno em qualidade e quantidade do que os realizados para promover uma educação de alta qualidade, a grande forja do desenvolvimento dos povos, na sociedade do conhecimento em que nos encontramos imersos, seguido da implantação de uma infraestrutura de saneamento básico, para elevar a longevidade, a saúde e produtividade das pessoas. Desgraçadamente, como a comprovar a expansão da “Síndrome de Estocolmo”, em gigantesca escala social, as populações pobres e iletradas do País veem, repetidamente, chancelando, com o seu voto, a continuidade dos seus algozes. A ignorância mantém na escravidão, a céu aberto, os que vivem à margem do conhecimento. Esse, um dos maiores riscos da democracia, o de assegurar o direito dos que sofrem, subjugados pela ignorância, de continuarem voluntariamente submetidos aos seus algozes, numa socio patológica relação sadomasoquista.
Da qualidade da mentalidade dominante nos grupos sociais, da família, do trabalho, do clube como da sociedade, em geral, depende, em grande medida, a prosperidade coletiva. São ricos os grupos dominados por mentalidade de abundância, aquela que leva a crer que o bem-estar coletivo será tanto maior, onde houver o predomínio da crença em que essa conquista se encontra ao alcance de todos, diversamente do que sucede onde predomina a mentalidade de escassez, orientada pela percepção equivocada de que, sempre, quando alguém ganha, alguém perde. Como os caranguejos que reciprocamente se impedem de sair do balaio que os aprisiona!
Para aumentar a velocidade de nossa histórica marcha lenta na direção do avanço e da prosperidade, precisamos dar mais ênfase ao que nos une do que ao que nos separa, como integrantes da sociedade brasileira. Divididos como nos encontramos, impõe-se que respeitemos o resultado das urnas no próximo dia 30, desejando com olímpica serenidade que o grupo vencedor dê um passo à frente na superação de nosso detrimentoso atraso.
Caso contrário, continuaremos a ser o País do Futuro, sobretudo se elegermos ladrões para nos governar.
*Joaci Góes, advogado, jornalista, empresário, ex-deputado federal constituinte e presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia (IGHB).









