No debate mais esperado desde 2018, ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) discutiram, frente a frente, na noite de domingo (16). O primeiro encontro do segundo turno presidencial durou uma hora e 40 minutos. Os candidatos trocaram acusações e discutiram sobre corrupção, crime organizado e vacinas. Lula e Bolsonaro negaram intenção de realizar mudanças na composição do Supremo Tribunal Federal. Os presidenciáveis solicitaram direito de resposta em diversos momentos do debate. No entanto, ele foi concedido apenas uma vez, para Lula, após Bolsonaro falar que o petista quer fechar igrejas e manter alianças com líderes de esquerda de outros países.
Confira trechos do posicionamento político de Lula
Lula celebra a presença da população nas ruas
Lula disse estar vivendo uma situação extraordinária no segundo turno, vendo o povo participando ativamente dos atos públicos com milhares de pessoas acreditando que é possível o Brasil voltar a sorrir e a ser alegre. “Eu fico muito mais feliz quando eu sei que eles depositam em mim a esperança de que o Brasil vai melhorar”, disse, mencionado a multidão que está indo às ruas em caminhadas, como ocorreu em cidades como Belo Horizonte (SP), Campinas (SP) e Salvador (BA).
Lula destacou que se ganhar as eleições vai trabalhar para recuperar o Brasil da destruição causada pelo governo do adversário Jair Bolsonaro. Entre as ações, combater a fome, gerar emprego, fazer distribuição de renda e investir em saúde e educação.
“Eu, particularmente, quero mostrar que é possível recuperar o Brasil, gerar emprego, que é possível fazer distribuição de renda, que é possível acabar com a fome, que é possível fazer investimento em educação e saúde. Como nós já fizemos uma vez. Para mim, fica mais fácil dizer o que nós temos que fazer”, disse.
Segundo o ex-presidente, é mais difícil para Bolsonaro falar sobre o que vai fazer já que ele não fez no primeiro mandato. “Eu espero que a sociedade brasileira assista o debate, analise o que cada um fala e depois tome sua decisão. O que eu quero é que tenha menos abstenção possível, que a maioria dos cidadãos brasileiros vão votar”, afirmou.
Lula chegou aos estúdios da Band, no Morumbi, por volta das 19 horas, acompanhado da esposa Janja da Silva, da presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e de assessores.
“Povo pobre vai voltar a ter cidadania outra vez”
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lembrou o legado de seus governos, que fizeram a maior inclusão social da história do Brasil e afirmou que num novo governo, vai trazer o povo pobre à cidadania outra vez.
“Fizemos a maior política de inclusão social, geramos 22 milhões de empregos, aumentamos o salário mínimo e fizemos o maior número de universidades e de escolas técnicas da história”, disse em embate direto com o adversário Jair Bolsonaro.
Lula afirmou que, no governo, provou que é possível fazer pelos mais pobres e apresentou medidas para um novo governo como a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês.
“Nós provamos que é possível ter capacidade de investimento quando a gente planeja e coloca dinheiro no lugar certo”, disse, lembrando dos investimentos de mais de R$ 1 trilhão para a construção de 13 mil obras do PAC e prosseguimento a outras 13 mil, que foram retomadas em outras gestões. Lula afirmou que vai priorizar as obras de infraestrutura como ponto de partida para a geração de empregos.
Lula lembrou que seus governos fizeram a maior política de distribuição de renda, a construção de 1,4 milhão de cisternas e projetos para os pequenos produtores rurais.
“Povo da favela é extraordinário e trabalhador”
Lula disse que visita favelas, como recentemente foi ao Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro (RJ), porque lá vive um povo extraordinário e trabalhador.
“Sou o único candidato a presidente da República que tenho coragem de entrar numa favela, sem colete de segurança. E já não é agora, quando eu era presidente eu entrava. E as pessoas falavam ‘vai com cuidado, porque o Bolsonaro é amigo dos milicianos. Você vai com cuidado’. E eu ia, eu ia, sabe por que? Eu acredito no povo”, disse.
O ex-presidente afirmou que fez uma caminhada exuberante no Complexo do Alemão, um dos maiores complexos de favelas do Brasil e lá não tinha bandidos, mas homens e mulheres que acordavam às 5h da manhã para trabalhar.
“Os bandidos o senhor sabe onde estão. Um vizinho seu tinha 100 armas dentro de casa, o senhor sabe. Esse não era da favela do Complexo do Alemão, esse, quem sabe, morava num apartamento numa avenida Copacabana. E por que achar que bandido está só no lugar dos pobres? Os grandes bandidos estão no lugar dos ricos. Os pobres são trabalhadores”.
Lula também criticou o uso da máquina pública por Jair Bolsonaro na campanha pela reeleição. “Eu tive 6 milhões de votos a mais do que você com toda essa gastança que você fez. Se pegar todos os presidentes desde Deodoro até agora ninguém colocou 10% do dinheiro que o senhor colocou”, afirmou, acrescentando que vai voltar ao Complexo do Alemão porque não foram os presos que votaram nele. “Foi o povo brasileiro”.
“Sou contra a privatização da Petrobras”
Em debate na TV Bandeirantes na noite deste domingo (16/10/2022), o ex-presidente voltou a dizer que é contra a privatização da Petrobras, assim como não é favorável à atual política que dolarizou os combustíveis e levou os preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha às alturas.
Lula voltou a defender o investimento em refinarias para que o país seja autossuficiente e não precise importar, como tem acontecido desde que a BR Distribuidora foi privatizada, assim com os gasodutos.
“Os preços não têm que ser dolarizados. A exploração é em real, o salário em é real. Sou contra a privatização. Privatizar a Petrobras é uma loucura”, afirmou.
STF independente
No mesmo bloco, o de perguntas feitas por diferentes jornalistas, Lula defendeu a independência do Supremo Tribunal Federal e também se posicionou contrário à ideia de haver mudanças na composição da corte.
“Não é prudente, não é democrático, um presidente da República querer ter os ministros da Suprema Corte como amigos. Você não indica um ministro da Suprema Corte para ele votar favorável a você ou te beneficiar. Os ministros da Suprema Corte têm que ter currículo. A pessoa tem que ter história, tem que ter biografia, e essa gente tem que fazer o que precisa ser feito”.
“Vamos recuperar déficit educacional junto com governadores e prefeitos”
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que, se ganhar as eleições, vai juntar governadores e prefeitos para definirem em conjunto soluções para recuperar o déficit educacional que filhos de famílias pobres tiveram durante a pandemia por falta de condições de acompanharem as aulas à distância.
“No meu governo, o MEC vai ser parceiro de governadores e prefeitos para recuperar”, afirmou, lembrando que os filhos de famílias ricas tiveram mais oportunidades do que os pobres porque tinham, por exemplo, bom acesso à internet.
Lula falou que uma possibilidade é fazer mutirões, envolvendo professores, com aulas aos sábados e domingos para tentar fazer com que as crianças prejudicadas recuperem o tempo perdido.
Lula defende o ‘direito ao churrasco’ e ironiza Bolsonaro: “ele pensa que só ele pode”
“Quando eu falo do churrasco é porque nós vamos voltar, consertar esse país. E vamos voltar nos finais de semana a comer um churrasquinho e tomar uma cerveja. Eles ficam doidos porque ele pensa que só ele pode. Mas nós podemos e vamos querer comer um churrasquinho”, afirmou.
Lula também disse que, quando eleito, o país sairá outra vez do Mapa da Fome, como ocorreu em 2014, após anos de políticas públicas organizadas pelos governos do Partido dos Trabalhadores.
“Nós vamos ter como prioridade cuidar do povo. Esse país é o maior produtor de alimentos do planeta terra e nós temos 33 milhões de pessoas passando fome. Esse país é o maior de proteína animal do mundo e as pessoas estão na fila do osso”, completou.
Confira vídeo
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