Lideranças comunitárias ocupam Alto Sertão Baiano há um mês na BA-156 em Licínio de Almeida

Nesta terça-feira (25/10/2022) completou 30 dias da ocupação de representantes e lideranças comunitárias do território do Alto Sertão Baiano às margens da rodovia BA-156, na altura de Licínio de Almeida. O grupo segue em protesto contra os impactos do transporte de minério na região.

Os populares de Brejo, Barreiro, Louro, Boiada, São Domingo, Riacho Fundo e Taquaril dos Fialhos, em Licínio de Almeida, deram início à ocupação no dia 26 de setembro fazendo barricada na estrada vicinal que liga a localidade de Brejinhos das Ametistas a Licínio de Almeida, na BA-156. Caminhões carregados de minério se deslocam dia e noite para o pátio de uma mineradora no município supracitado.

O deslocamento dos veículos levanta e espalha poeira de pó de minério, o que tem afetado a saúde da população circunvizinha, sobretudo com doenças alérgicas em crianças e idosos. O pó também impacta a produção da agricultura familiar devido à poluição do solo e das águas. A mineradora também faz uso indiscriminado de água afetando o abastecimento hídrico local.

De acordo com o assessor regional na Cáritas Nordeste 3, Alfredo Baleeiro, a ocupação segue com o apoio de diversas instituições como a Cáritas, a Comissão Pastoral da Terra (CPT-BA), Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) e parceiros locais. “Estamos indo lá também todos os dias, contribuindo com a luta e realizando formações como a que fizemos sobre a história da mineração no território e o modelo de mineração no Brasil, onde participaram cerca de 150 integrantes das comunidades. Tem sido um processo muito rico, de luta e educação popular”, conclui.

Por meio do Programa Global das Comunidades da Nossa América Latina, a Cáritas tem contribuído também com apoio na alimentação das pessoas que estão na ocupação. A entidade construiu, em coletivo, uma carta para cobrar posição do poder público e integra uma comissão para avaliação do andamento da luta.  O Deputado Estadual, Marcelino Gallo, assinou a carta em apoio ao movimento. “Só o impacto na saúde das famílias, com a quantidade de poeira levantada, já seria suficiente para que houvesse um diálogo e resolução dos conflitos, mas além disso, os trabalhadores têm sofrido com a poeira que fica sobre as lavouras impedindo o desenvolvimento das plantas”, escreveu o parlamentar na rede social.

Venício Montalvão é militante MAM e denuncia o modelo de mineração que segue invadindo as comunidades. “A luta que essas comunidades fazem, embora possa parecer um problema localizado de algumas comunidades que se incomodaram com poeira, ela é na verdade a expressão do modelo de mineração brasileiro. Um modelo antidemocrático em que as comunidades não podem decidir se querem a passagem de caminhões, se querem que utilize da sua água para molhar estradas. A BAMIN começou a passar nessa via sem nem apresentar no projeto da empresa essa possibilidade”, acrescenta.

O grupo pede a abertura de um diálogo com a mineradora para a resolução do problema enfrentado pelas comunidades que, há quase um mês de movimento, ainda não viu manifestação do Ministério Público, nem do Estado de forma mais ampla. Na última segunda-feira (24), as comunidades realizaram uma assembleia onde decidiram pela continuidade no movimento com indicativo de manifestação e ocupação da ferrovia por onde o minério é escoado.

Programa Global

O Programa Global das Comunidades da Nossa América Latina é desenvolvido pela Cáritas Brasileira (Regionais Nordeste 3 e Norte 2), Cáritas Colômbia e Honduras e apoiado pela Cáritas Alemã e Ministério Alemão. É realizado a partir da participação e incidência política nas comunidades tradicionais em cada país e visa melhorar a implementação dos direitos à terra e ambientais, promover a participação política das comunidades rurais e disseminar abordagens inovadoras para a adaptação às mudanças climáticas nos territórios.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.



Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading