Ao querido amigo Jorge Luiz Ramos!
Sob a liderança do Comandante do Segundo Distrito Naval, Almirante Humberto Caldas da Silveira Jr, a Marinha Brasileira vem tomando iniciativas marcantes, destinadas a celebrar o transcurso do bicentenário da emancipação do Brasil, desde o Sete de Setembro, de 1822, com o Grito do Ypiranga, até nossa efetiva Independência, com a expulsão das tropas portuguesas encasteladas na Bahia, em Dois de julho de 1823. A solenidade que se realizou nesta manhã, no navio Doca Multipropósito Bahia, no Porto de Salvador, é da mesma índole, destinada a celebrar o bicentenário do Primeiro Içamento da Bandeira Nacional, num Navio de Guerra Brasileiro, a Nau D. Pedro I, ocorrido no Rio de Janeiro, em 10 de novembro de 1822, perante o então Ministro da Marinha, Capitão de Mar e Guerra Luís da Cunha Moreira.
Façamos um resumo biográfico dessa histórica embarcação, que saiu de circulação em 1830.
Construída nos estaleiros da Bahia, e inicialmente batizada com o nome de Santo Antônio, ela foi lançada ao mar, em 29 de janeiro de 1763, cumprindo, desde então, uma notável saga militar, mundo afora, e sucessivamente, renomeada como São José, Infante D. Pedro Carlos e Martim de Freitas, antes de servir como homenagem ao jovem Imperador Brasileiro, em razão do que foi objeto de cuidadosa restauração. Em 1777, participou da luta pela retomada de Santa Catarina e, em 1784, na Expedição contra Argel. Submetida a reforma, em 1794, continuou integrando a Esquadra Portuguesa, como unidade de vanguarda, vindo a compor a frota que transportou para o Brasil, a Família Real Portuguesa, em 1808.
Quando, em 03 de abril de 1823, D. Pedro I despachou a Esquadra imperial, sob o comando do notável herói brasileiro, nascido na Escócia, o Lorde Thomas Alexander Cochrane, para vir somar à resistência oferecida às tropas do português Madeira de Mello, pelos heróis baianos, lá estava a nossa histórica Nau, que, depois de sofrer avarias e ter vários dos seus tripulantes mortos, em batalha, viria a escorraçar, mar alto afora, os 91 navios de guerra portugueses, transportando os últimos resistentes à consolidação de nossa maioridade nacional. Este o episódio que fez da Baía de Todos os Santos o berço da Marinha Brasileira.
Poucos dias depois, a 26 de julho de 1823, lá estava, no Porto de São Luís, no Maranhão, nossa briosa Nau D. Pedro I, também sob o comando de Cochrane, para sufocar mais um centro de resistência à afirmação de nossa independência, ali reconhecida, já no dia 15 de agosto. Em seguida veio a capitulação da resistência portuguesa, sediada em Montevideo, diante das forças navais brasileiras, comandadas pelo Capitão de Mar e Guerra Pedro Antônio Nunes. É elementar dever de justiça reconhecer o excepcional papel desempenhado pela nascente Marinha Brasileira, no condomínio de ações patrióticas destinadas a assegurar a Independência do Brasil.
Tem razão o Procurador Geral da República, o baiano Augusto Aras, ao sustentar, para a estupefação de posudos iletrados com títulos acadêmicos, que a democracia só viceja onde as Forças Armadas forem democráticas. É elementar dever de justiça reconhecer o caráter democrático das Forças Armadas Brasileiras, no momento em que a nossa Marinha e o nosso Exército completam dois séculos de excepcionais serviços ao País.
Exemplo ora a ser seguido pela nossa Suprema Corte onde despontam integrantes com pose e discurso de acentuado e lamentável caráter fascista.
*Joaci Góes, advogado, jornalista, empresário, ex-deputado federal constituinte e presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia (IGHB).










