Pesquisadora da Bahia descobre que fungo desenvolvido na jaca pode aumentar eficiência de detergentes

A jaca é um fruto típico de regiões tropicais e suas substâncias são ricas em minerais como cálcio, potássio, ferro, fósforo e vitaminas. Com a fruta é possível realizar diversos preparos, até cozinhar o seu caroço e consumi-lo. Para além dessas utilidades, a jaca pode contribuir para melhorar a eficiência dos detergentes, através de um fungo. Essa descoberta só foi possível graças ao trabalho de Dhiéssica Ribeiro, do programa de Pós-graduação em química, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). A pesquisadora iniciou um estudo sobre como o organismo desenvolvido na casca da jaca pode ser utilizado na produção de enzimas para os detergentes.

A primeira etapa foi a realização de uma prospecção tecnológica, que é um meio em que podemos avaliar o desenvolvimento da ciência e tecnologia. A química identificou que as enzimas retiradas do fungo da família Penicillium Camemberti, que utiliza a casca da jaca para se desenvolver, apresentam potencial para sua utilização em formulações de detergentes, pois melhoram a capacidade de remoção de sujeiras e tornam o detergente menos prejudicial ao meio ambiente. Após esse trabalho, acontece o processo de fermentação em estado sólido para obtenção das enzimas.

De acordo com Dhiéssica, foram realizados diversos testes e os resultados demonstraram que as lavagens dos tecidos com detergente e extrato enzimático foram mais eficientes na remoção das manchas. “Quando é adicionada uma concentração maior da enzima, aproximadamente 5%, na solução detergente, a remoção das sujidades se tornam mais eficientes, chegando a 100%. Porém, mesmo adicionando uma concentração menor (2%), é possível verificar que o detergente com enzima se torna mais promissor na remoção de sujeiras”, diz.

Já existem detergentes no mercado que contém enzimas em sua composição, mas a pesquisadora explica que o custo-benefício do seu projeto é melhor. “De acordo com os resultados encontrados neste trabalho, vimos que é possível obter enzima de baixo custo através do processo de fermentação em estado sólido. Além disso, fizemos o aproveitamento de um resíduo para obter um produto de grande interesse industrial e foi possível verificar que detergentes com enzimas se tornam mais eficientes na remoção de sujidades”.

O projeto, que contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (capes), já está pronto para ser aplicado no mercado. “As portas estão abertas para aquelas empresas que tiverem interesse em desenvolver nossa pesquisa em escala industrial. Seria um prazer imenso desenvolver esse trabalho em parceria com alguma empresa”, afirma Dhiéssica.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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