Amazônia Azul e o Carnaval do Rio | Por Joaci Góes

Para o casal amigo Edna e Cícero Sena!

Aparentemente, as lideranças baianas, nos mais diferentes campos de atividade – político, intelectual e econômico-, ainda não se deram conta do grande significado, para a Bahia, da incorporação dos valores culturais da nossa Baía de Todos os Santos, capital da Amazônia Azul, como tema do desfile, no próximo carnaval, pela Escola de Samba Unidos da Tijuca, do Rio de Janeiro, graças ao empenho de Moisés Cafezeiro, nome reconhecido como tradicional defensor da importância dos recursos naturais e culturais da BTS, como fator do desenvolvimento baiano.

A vetusta e multicampeã escola de samba do carnaval carioca, a Unidos da Tijuca, vai desfilar exibindo as riquezas da nossa magnífica Baía, a segunda maior do Mundo, em suas múltiplas dimensões, identificada pela expedição Gaspar de Lemos, em 1° de novembro de 1501, dia de todos os santos, tendo a bordo o cartógrafo italiano Américo Vespúcio, personalidade que deu nome ao continente americano. Espera-se que a partir desta visibilidade carnavalesca da bela Baía de Todos os Santos, nossas lideranças no Congresso Nacional, com o Governador do Estado, à frente, possam consolidar o seu reconhecimento como a capital da Amazônia Azul, denominação dada ao mar territorial brasileiro, com 3,6 milhões de km², pelo almirante de esquadra Roberto de Guimarães Carvalho, em momento de grande e feliz inspiração.

Recorde-se que a palavra amazon é uma das poucas de curso universal, ao lado de hospital, hotel, taxi, dólar, OK e, recentemente, covid. O reconhecimento universal de que a capital da Amazônia Azul deve ser a Baía de Todos os Santos não impede que venhamos a perder esta natural e importante conquista, se continuarmos deitados em berço esplêndido, enquanto outras áreas, como a poluída Baía da Guanabara, movimentam-se nessa mesma direção. A oficialização da BTS como a capital da Amazônia Azul catapultaria o estado da Bahia para alturas inimagináveis, como destino turístico e atração de investimentos.

É verdade que o histórico desperdício do aproveitamento das enormes possibilidades da BTS opera como um sinal claro de nossa incúria relativamente aos dons que recebemos, levando-nos, quem sabe, a uma apatia operacional que nos reduz a um padrão de desempenho haitiano, de que é prova a distância entre o pouco que somos e o IDH canadense ou norte-americano que deveríamos ter, se levarmos em conta nossas riquezas naturais e potencialidades.

Os festejos do bicentenário da consolidação da Independência do Brasil, na Bahia, a transcorrer no próximo Dois de Julho, deveriam servir de motivação para consolidarmos a marcante conquista de sediarmos a capital da Amazônia Azul. Aproveitando a onda, ainda no embalo das celebrações do Dois de julho de 2023, poderíamos restaurar o nome de nosso Aeroporto para Dois de Julho, libertando a memória do brilhante político Luís Eduardo Magalhães do peso de uma iniciativa tão imprópria quanto infeliz.

É irresistível a tentação de recordar que Cingapura, um dos mais prósperos tigres econômicos do Planeta, com o dobro da população da Região Metropolitana de Salvador, realiza sua portentosa façanha num espaço correspondente a, apenas, três quartos da BTS.

De parabéns Moisés Cafezeiro, por tão meritória iniciativa.

*Joaci Góes, advogado, jornalista, empresário, ex-deputado federal constituinte e presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia (IGHB).


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