UNFPA descreve vulnerabilidade, pobreza e desespero em terremoto na Síria

O Fundo da ONU para a População, Unfpa, aumentou os esforços de socorro para salvar vidas, especialmente de mulheres e meninas, após o terremoto na Síria.

A informação é da diretora da agência para os Estados Árabes, Laila Baker, que falou a jornalistas por vídeo, diretamente de Alepo, uma das cidades mais afetadas pelo tremor.

Impacto numa população que já era vulnerável

A representante disse ser difícil descrever a destruição que viu, com ruas inteiras em condições deploráveis, após mais de uma década de guerra, e agora arrasadas pelo terremoto.

Ela destacou as milhões de pessoas ainda mais fragilizadas, depois dos 11 anos de conflito, e o impacto físico e emocional da população vulnerável.

Laila Baker visitou locais que abrigavam deslocados internos, entre eles muitas mulheres e crianças que ficaram desabrigadas.

Ela contou a história de uma mulher de 40 anos que perdeu o genro no terremoto, a filha foi hospitalizada e ela precisou cuidar sozinha de um bebê de oito meses, pois já havia perdido o marido na guerra.

Número grande pessoas desabrigadas

Laila Baker disse ter ficado impressionada com o número de pessoas que ficaram sem suas casas. Ela visitou mesquitas e escolas transformadas em abrigos e tendas feitas de papelão espalhadas pelas ruas.

Para a diretora do Unfpa, é difícil imaginar que esta é uma cidade de 2 milhões de pessoas que há onze anos tinham suas vidas estruturadas economicamente.

A representante ressaltou ainda que aonde foram e com quem falaram viram muita vulnerabilidade, pobreza e desespero. Ela disse ter esperança de que devido ao tamanho da destruição haja espaço para paz e reconciliação. E que o Unfpa possa focar nas pessoas vulneráveis para reconstrução.

Impacto em mulheres e meninas

De acordo com estimativas do Unfpa, há cerca de 130 mil a 140 mil mulheres que estão em idade reprodutiva e precisam de medicamentos e serviços de proteção a violência de gênero.

Destas, 40 mil estão grávidas e vão dar à luz nos próximos três meses. Mas as instalações de saúde estão danificadas ou destruídas, o que será um problema para os casos mais complicados que possam precisar de cesariana.

Ela e sua equipe visitaram maternidades em Alepo e viram falta de equipamentos e trabalhadores de saúde sobrecarregados. Além de muitas pessoas fazendo trabalho voluntário e muita solidariedade.

Apelo humanitário

Laila Baker citou o apelo humanitário da ONU no valor de US$ 397 milhões para a Síria, na terça-feira. Com isso, ela disse esperar que esse financiamento traga um grande alívio na assistência para as pessoas.

A representante lembrou que a quantia é para apenas os próximos três meses. E que isso irá cobrir apenas as necessidades mais básicas.

Por fim, a diretora do Unpfa afirmou que a agência, juntamente com as Nações Unidas, está trabalhando na linha de frente para trazer ajuda humanitária e trazer segurança de volta para as pessoas da Síria.

*Com informações da ONU News.


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