Grupo Editorial Edipro lança versão do livro ‘A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado’ de Friedrich Engels

Edipro lança nova edição de clássico escrito pelo tradicional autor marxista que analisa primeira forma de divisão social do trabalho: pelo gênero.
Edipro lança nova edição de clássico escrito pelo tradicional autor marxista que analisa primeira forma de divisão social do trabalho: pelo gênero.

Amigo e copensador das ideias de Karl Marx, Friedrich Engels foi um estudioso alemão que também se dedicou ao estudo de seus próprios temas de pesquisa. Uma das obras escritas pelo autor foi ‘A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado’, até hoje considerado um tratado histórico sobre as relações familiares de sociedades primitivas da Europa.

Neste livro, publicado pela primeira vez em 1884, Engels relata como o surgimento do excedente nas sociedades mais antigas impulsionou a desigualdade e criou a divisão de tarefas que definiam que à mulher caberia dedicar-se a cuidar da casa e dos filhos e aos homens ficaria a tarefa de trabalhar na indústria.

Apontado como um dos clássicos dentro da tradição marxista, A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, que ganha nova edição no Brasil pelo Grupo Editorial Edipro, trouxe – e ainda coloca em pauta – debates sobre Estado, representação da mulher na sociedade e assuntos referentes à propriedade privada. O autor recorre ao materialismo histórico e estabelece um novo determinante da ordem social para além das relações de produção: o nível de desenvolvimento da família.

Dividido em nove partes, o livro apresenta um estudo de Engels que é fundamental para a compreensão da passagem dos sistemas de sociedades matriarcais para patriarcais, do nascimento da propriedade privada e da consequente criação do Estado. Inspirado pelo trabalho do antropólogo estadunidense Lewis Morgan, Engels traça os estágios pré-históricos de cultura, do estado selvagem à barbárie, que culminaram na civilização atual.

À medida que iam aumentando, as riquezas davam, por um lado, ao homem uma posição mais importante que à mulher na família, e, por outro, faziam nascer nele a aspiração de se valer dessa vantagem para modificar em proveito dos filhos a ordem de herança estabelecida. Mas isso não podia se fazer enquanto se mantivesse vigente a filiação segundo o direito materno. Este tinha de ser abolido, o que ocorreu. E não foi tão difícil quanto hoje nos parece. Essa revolução — uma das mais profundas que a humanidade já conheceu — não teve necessidade de tocar nem em um único dos membros vivos da gins. Todos os membros desta puderam continuar sendo o que até então tinham sido. Bastou tomar a simples resolução de que os descendentes de um membro masculino permaneceriam na gens, porém os de um membro feminino sairiam dela, passando para a gens de seu pai.

(A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, p. 69)

Esta edição do Grupo Editorial Edipro é traduzida por Saulo Krieger – doutor em Filosofia pela Unifesp – e baseia-se na edição do livro Der Ursprung der Familie, des Privateigentums und des Staats publicada pela Verlag Schweizerische Volksbuchhandlung em 1892. Este volume apresenta três conjuntos de notas diferentes (do autor, do editor falando das mudanças da primeira para segunda-edição e do editor explicando contextos do livro).

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