Ministro da Defesa de Israel pede suspensão da reforma judicial

O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, pediu este sábado (25/03/2023), a suspensão do processo de reforma judicial, alertando para o risco da deterioração da segurança do Estado, perante o aumento da contestação popular.

Milhares de manifestantes voltaram a reunir-se este sábado em Tel Aviv para protestar contra a reforma do sistema judicial apresentada pelo governo do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.

Face à oposição massiva, o ministro da Defesa, Yoav Gallant, pediu a suspensão da reforma, considerando que este projecto de lei representa um problema de segurança para o país.

“Temos de parar o processo legislativo (…) Sou fiel aos valores do Likud (…) mas grandes mudanças, a nível nacional, devem ser feitas através da concertação e do diálogo”, disse.

As declarações de Yoav Gallant foram bem recebidas pelo líder da oposição, Yaïr Lapid, que saudou um “passo corajoso (…) para a segurança de Israel”.

A posição do responsável pela pasta da Defesa vem romper com a unidade no governo de coligação de direita e extrema-direita liderado pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, que até agora tem resistido a qualquer recuo do projecto de lei de reformar o sistema judicial, mesmo perante manifestações de protesto que já duram há 12 semanas.

Os manifestantes consideram que a reforma vai enfraquecer os poderes do Supremo Tribunal, concedendo mais força ao poder executivo em detrimento do poder judicial. O Primeiro-Ministro israelita, investigado em vários casos de corrupção, é ainda acusado de querer usar esta lei para anular uma possível condenação.

Também dois deputados do Likud, partido de Netanyahu, apoiaram o apelo do ministro da Defesa, aconselhando ao Governo que seja sensível às manifestações de contestação, que aumentam de tom.

Os principais aliados de Israel, incluindo Washington, questionaram os planos de dar mais poder aos políticos e de limitar os poderes do Supremo Tribunal. A porta-voz da casa Branca, Karine Jean-Pierre, referiu que o presidente dos EUA, Joe Biden, está preocupado com as reformas no sistema de justiça. Já o primeiro-ministro britânico Rishi Sunak, sublinhou, durante um encontro com o homólogo israelita, em Londres, “a importância de respeitar os valores democráticos, inclusive no projecto de reforma judicial em Israel”.

Esta semana, os deputados israelitas devem votar um dos pontos mais polémicos desta reforma que prevê uma mudança no processo de nomeação de juízes.

*Com informações da RFI.


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