A eurodeputada grega Eva Kaili, acusada de participação em organização criminosa, corrupção e branqueamento de capitais, passará da prisão em Bruxelas para o regime de detenção domiciliária com pulseira eletrônica na mesma cidade. A decisão foi tomada pela justiça belga na quarta-feira, seguindo um pedido da equipe de defesa de Kaili.
Ela foi destituída do cargo de vice-presidente do Parlamento Europeu e suspensa do grupo Socialistas e Democratas após as acusações, que alegam que ela usou sua influência política em troca de dinheiro para aprovar decisões legislativas favoráveis aos governos do Qatar e de Marrocos. Kaili clama inocência.
Kaili, que é da bancada de centro-esquerda Socialistas e Democratas, foi detida em dezembro de 2022 e era a última de cinco pessoas acusadas no processo a aguardar o julgamento na prisão. Desde então, foi decidido que outros acusados aguardariam o julgamento em prisão domiciliária com vigilância eletrônica.
O ex-eurodeputado italiano Pier-Antonio Panzeri, o ex-assistente parlamentar italiano Francesco Giorgi (companheiro de Kaili), o eurodeputado belga Marc Tarabella e o diretor de uma organização não-governamental, Niccolò Figà-Talamanca, foram todos transferidos para prisão domiciliária desde então. O eurodeputado italiano Andrea Cozzolino fugiu antes de ser detido, mas foi emitido um mandado de detenção com pedido de extradição que foi enviado às autoridades italianas.
Mais de 1,5 milhões de euros em dinheiro foram apreendidos pela polícia belga através de dezenas de buscas domiciliárias e a escritórios.
No rescaldo do escândalo, Kaili foi destituída do cargo de vice-presidente e suspensa do grupo Socialistas e Democratas, tornando-se eurodeputada independente e auferindo um salário mensal líquido de 7.146 euros. Contudo, como não pode deslocar-se para as sessões plenárias em Estrasburgo (França), o salário foi cortado para metade.
A equipe de defesa de Kaili contestou a decisão de mantê-la na prisão, com o advogado belga Sven Mary criticando a procuradoria pôr a manter atrás das grades como um “troféu”.
A Procuradoria Federal belga recusou-se a comentar as acusações do advogado.







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