Jogando de uniforme preto pela primeira vez na história, em uma ação contra o racismo, a seleção brasileira goleou Guiné, por 4 a 1, neste sábado (17/06/2023), no estádio Cornellà-El Prat, em Barcelona. O atacante Vinícius Júnior, alvo de ataques racistas em jogos pelo Real Madrid na Espanha, fez o quarto gol da equipe, cobrando pênalti. Mas a festa também foi marcada por uma nova denúncia de racismo contra os agentes de segurança do estádio.
Com o técnico interino Ramon Menezes, enquanto a CBF tenta a contração de Carlo Ancelotti, o Brasil abriu o placar no primeiro tempo, com o estreante Joeliton. O volante aproveitou rebote do goleiro Konaté, após cabeçada de Richarlison.
Na sequência, Rodrygo fez boa jogada pela direita e ampliou. Ainda antes do intervalo, o time africano descontou, com um gol de cabeça de Guirassy.
Na segunda etapa, a seleção brasileira voltou com a tradicional camisa amarela. Logo no início, Lucas Paquetá cruzou na área, e Éder Militão cabeceou para fazer o terceiro. A goleada foi decretada com Vinícius Júnior, que vestiu a camisa dez no amistoso e fez um gol de pênalti, após Malcom ser derrubado na área.
Contratação de Ancelotti
Após a vitória, Ramon Menezes foi questionado sobre a possível contratação de Ancelotti. O técnico despistou, mas elogiou o treinador italiano.
“Eu não estou sabendo de nada, vou continuar fazendo o meu trabalho. Eu já disse ontem (sexta-feira) na coletiva que se trata de um grandíssimo treinador. Não tem nem o que falar em relação ao Ancelotti. É um dos maiores vencedores como treinador. Meu foco aqui é fazer com que a seleção volte a jogar bem, como jogamos hoje, fazer gols e vencer os jogos” afirmou o interino.
Novo episódio de racismo
A partida na Espanha teve mais um episódio lamentável de racismo. Um amigo e assessor de Vinícius Júnior acusou um segurança do estádio de ter mostrado uma banana para ele.
Felipe Silveira, um homem negro de 27 anos, afirma ter sido vítima de um ato de discriminação durante a revista realizada por um segurança na entrada do estádio. “Mãos para cima, essa daqui é minha pistola para você”, teria dito o segurança ao tirar uma banana do bolso e apontar para Felipe. Em imagens transmitidas pelo canal SporTV é possível ver a discussão entre os amigos do jogador e a equipe de segurança do estádio.
“Enquanto eu jogava com a já histórica camisa preta e me emocionava, meu amigo foi humilhado e ironizado na entrada do estádio. O tratamento foi triste, em todos os momentos duvidaram da cena surreal que aconteceu. Os bastidores são nojentos”, escreveu Vini Jr em sua conta no Twitter. “Onde estão as imagens das câmeras de segurança?”, perguntou Vini Jr nas redes sociais.
A CBF afirmou que tomou medidas desde que foi informada da denúncia e pediu à polícia e aos organizadores do amistoso que “dessem todo o apoio e amparo a mais uma vítima de racismo, um crime que precisa ser combatido de forma veemente e sem descanso”.
“Hoje, mais uma vez, outro criminoso foi exposto publicamente”, disse em comunicado o presidente da entidade, Ednaldo Rodrigues.
A seleção brasileira volta a campo na terça-feira, contra Senegal, em Lisboa.
*Com informações da RFI.











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