Investimento em defesa é fundamental para soberania do Brasil, dizem especialistas

Fortalecimento da indústria de defesa e segurança está entre as prioridades do Plano de Retomada da Indústria, elaborado pela CNI.
Fortalecimento da indústria de defesa e segurança está entre as prioridades do Plano de Retomada da Indústria, elaborado pela CNI.

Investir em defesa e segurança nacional é importante não apenas para garantir soberania ao Brasil, mas também para o desenvolvimento de tecnologias que podem impulsionar o crescimento econômico do país. Nesse sentido, o fortalecimento da defesa e da segurança nacional está entre as quatro missões que compõem o Plano de Retomada da Indústria, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O documento evidencia os gargalos que atrapalham a produtividade e competitividade do setor produtivo e, ao mesmo tempo, aponta quais caminhos governo e iniciativa privada podem trilhar para que a indústria volte a ser protagonista na economia brasileira. Vice-presidente executivo da CNI e presidente do Conselho Temático da Indústria de Defesa e Segurança, Glauco José Côrte destaca os benefícios que o Brasil terá se priorizar avanços em defesa e segurança nacional.

“A indústria de defesa e segurança tem um vetor transformador no campo da tecnologia e inovação, que é a aplicação dual das soluções. Esse setor vai muito além da visão bélica, que é importante para a soberania de qualquer país, mas a indústria de defesa está e estará cada vez mais presente na agricultura, nos serviços e no comércio”, acredita.

Professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e especialista em indústria espacial e de defesa, Marcos Barbieri explica que o Brasil passa por um processo de desindustrialização desde a década de 80. Esse fenômeno é marcado não apenas pela diminuição da participação do setor no Produto Interno Bruto (PIB), como também pela perda de competitividade de alguns segmentos industriais que se destacavam há algumas décadas e pelo atraso de outros segmentos nacionais na comparação com países desenvolvidos.

Barbieri afirma que mesmo países com uma indústria mais avançada, como os Estados Unidos e a França, por exemplo, estão redesenhando suas estratégias para o setor, em especial para integrar as novas tecnologias. E, nesse contexto, o segmento de defesa é fundamental.

“O setor de defesa passa a ser um setor chave. São duas faces de uma mesma moeda. De um lado, a defesa é fundamental para levar avanços tecnológicos a setores chaves da economia. Por outro, esse desenvolvimento tecnológico é essencial para garantir a segurança e defesa de um país. Para o Brasil, a questão da defesa e segurança nacional é essencial”, pontua.

Soberania

Os especialistas alertam que o Brasil deve perseguir o fortalecimento da indústria de defesa e segurança também para garantir a própria soberania. Segundo a CNI, o ambiente internacional é caracterizado por incerteza e instabilidade. Exemplos não faltam, como a guerra que surgiu após a invasão russa à Ucrânia no início de 2022.

O acirramento das disputas comerciais envolvendo as grandes potências, principalmente Estados Unidos e China, além do avanço de regimes autoritários, tornam a busca por tecnologias no campo militar uma questão fundamental para garantir a capacidade de defesa dos países, afirma o Plano de Retomada da Indústria.

“No que diz respeito à questão geopolítica, a soberania nacional tem sido uma temática mundial. No entanto, torna-se necessário reconhecer a capacidade de dissuasão sem necessariamente usá-la”, diz Glauco.

A capacidade de dissuasão no meio militar se refere à capacidade de um país desencorajar um adversário de realizar ataques ao demonstrar que tem força e capacidade de se defender e até retaliar de maneira efetiva.

Barbieri explica que mesmo para manter a posição de neutralidade ou menor alinhamento possível que a diplomacia brasileira adotou ao longo da história é preciso ter força militar.

“É fundamental que tenhamos capacidade de nos defendermos autonomamente. Senão nós vamos estar sob jugo de alguém. Para que possamos ter neutralidade e falar ‘eu não vou entrar nesse conflito’ e, não só ser neutro, mas fazer valer os seus interesses, precisa ter poder e autonomia.”

“O Brasil é um país continental, com uma fronteira com dez países, uma fronteira marítima colossal. Nós temos os nossos interesses. E quanto mais nós formos desenvolvendo, mais nós vamos incomodar os outros. Quando um país das dimensões do Brasil cresce, ele incomoda e isso daí faz com que o Brasil tenha que ter autonomia para defender os interesses”, completa.


Discover more from rnal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from rnal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.