Ex-ministro Anderson Torres Recebeu Informações sobre votação de Lula e atuou em operações da PRF, indica investigação

Anderson Torres, ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal e ex-ministro da Justiça no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Anderson Torres, ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal e ex-ministro da Justiça no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A investigação em torno das invasões ocorridas em Brasília no início do ano continua a desvelar detalhes intrigantes. Recentemente, surgiu a revelação de que o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, teria recebido um “boletim de inteligência” da então diretora de Inteligência do Ministério da Justiça, Marília Alencar, logo após o primeiro turno das eleições. Segundo as informações, esse boletim detalhava as cidades onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia obtido mais votos.

Boletim de Inteligência para Ações Estratégicas

O boletim de inteligência, produzido por Marília Alencar, detalhava as regiões onde Lula havia obtido maior apoio durante o primeiro turno das eleições. Essa informação teria sido usada por Anderson Torres para esquematizar operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), com o intuito de atrapalhar a mobilização dos eleitores nessas áreas durante o segundo turno. A operação da PRF no dia 30 de outubro foi alvo de controvérsia e alegações de que teria dificultado a chegada dos eleitores aos locais de votação.

Depoimentos Contraditórios e Complicações

Em depoimento à Polícia Federal, Anderson Torres alegou que o documento que ficou conhecido como “minuta do golpe”, encontrado em sua casa, havia sido entregue por sua secretária. Entretanto, sua secretária negou categoricamente essa afirmação. Essa contradição somou-se à descoberta do boletim de inteligência e à tentativa de apagamento de parte do material pela delegada Marília Alencar, o que complica ainda mais a situação do ex-ministro.

Viagem Suspeita e Envolvimento no Processo Eleitoral

Outro ponto que chama a atenção é uma viagem fora de agenda de Anderson Torres à Bahia, acompanhado do então diretor da Polícia Federal, Márcio Nunes, em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), dias antes do segundo turno das eleições. Nessa viagem, ele teria pressionado o superintendente regional da PF, Leandro Almada, a atuar em operações no dia da eleição, apoiando a PRF.

Prisão e Omissão

Anderson Torres encontra-se preso desde janeiro de 2023, após voltar dos Estados Unidos para o Brasil, a pedido da Justiça.

O ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, considerou que Torres foi “no mínimo omisso” diante dos atos de invasão em Brasília, uma vez que tirou férias um dia antes dos eventos ocorrerem. As investigações continuam a lançar luz sobre os acontecimentos que envolveram as invasões e as possíveis ações coordenadas nos bastidores.


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