A cidade de Cachoeira, localizada na zona turística da Baía de Todos-os-Santos, se ilumina com a Festa da Boa Morte, uma das maiores celebrações do sincretismo religioso baiano, que ocorre até esta quinta-feira (16/08/2023). Sob o apoio do Governo do Estado, a festa atrai turistas nacionais e internacionais, movimentando a economia local e celebrando os 203 anos de reverência a Nossa Senhora da Glória. A irmandade responsável pela celebração é composta exclusivamente por mulheres negras e foi criada em 1820, desempenhando um papel significativo na conquista da alforria para os negros escravizados.
“Durante a procissão, senti uma emoção única. Essa tradição é muito poderosa e planejo voltar sempre que possível”, compartilhou Mário Lampareli, um turista paulista que participou pela primeira vez da Festa da Boa Morte.
A cineasta francesa Laurie Calvet também expressou seu fascínio pelos rituais e pela história de resistência das mulheres negras. Enquanto isso, o professor norte-americano Stephen Selka, que conheceu a celebração em 2001, se tornou um frequente visitante e até escreveu sobre a festa em sua dissertação acadêmica.
A Secretaria de Turismo da Bahia (Setur-BA) conduz uma pesquisa para entender o perfil dos turistas que participam da Festa da Boa Morte, explorando aspectos como origem, orientação religiosa, duração da estadia, gastos, hospedagem e meios de transporte utilizados.
Além do impacto no turismo local, a Festa da Boa Morte também chama a atenção internacionalmente. A Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) está gravando uma série documental sobre o turismo étnico-afro na Bahia, incluindo a Festa da Boa Morte e o quilombo Kaonge, em Cachoeira, bem como locais em Santo Amaro e Salvador. Esse conteúdo será utilizado em campanhas promocionais no exterior, visando atrair estrangeiros interessados na cultura e tradições ancestrais da região.
Tania Neres, coordenadora de Afroturismo, Diversidade e Povos Indígenas da Embratur, destacou que há um mercado significativo de turistas norte-americanos, alemães e franceses que visitam a Bahia em busca de experiências culturais autênticas, indo além das praias. Esses visitantes são atraídos pela rica herança ancestral da região, que ressoa nas celebrações como a Festa da Boa Morte.
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