Aos 90 anos, filósofo italiano Toni Negri comenta sobre comunismo e avalia falhas da esquerda ao atuar sobre as mutações do Capital pós 1970

Antonio Negri (Toni Negri), filósofo, militante comunista e figura central do movimento político italiano nas décadas de 1960 e 1970, completou 90 anos no dia 1º de agosto. Sua vida é marcada por uma intensa trajetória que incluiu a militância comunista, prisões, exílio e contribuições filosóficas que influenciaram o pensamento político contemporâneo. Em uma entrevista ao jornal Il Manifesto, Negri refletiu sobre sua vida e os eventos políticos que moldaram sua geração.

Negri relembrou sua participação ativa no movimento de 1968 na Itália e os anos de prisão e exílio que se seguiram. Ele destacou a importância da década de 1970, quando o capitalismo estava em transformação, e a esquerda, segundo ele, não conseguiu acompanhar essas mudanças, levando à derrota.

O filósofo também abordou o papel do Partido Comunista Italiano e como, em sua opinião, o partido caiu em uma armadilha ao delegar a política aos magistrados, o que, segundo ele, contribuiu para o desaparecimento da esquerda no país.

Negri também falou sobre suas colaborações com Michael Hardt em obras como “Império” e “Multidão”, que ganharam reconhecimento internacional. Além disso, revisitou sua relação com o pensador Spinoza, sobre o qual escreveu um livro importante enquanto estava na prisão.

Ao discutir sobre o compromisso contínuo com o comunismo, Negri enfatizou a importância de conceitos como liberdade, igualdade, solidariedade e amor na busca por uma sociedade mais justa. Ele destacou a figura de São Francisco de Assis como um exemplo de amor contra a propriedade, que poderia ter inspirado uma mudança na década de 1970.

 *Toni Antonio Negri (Toni Negri), filósofo italiano e militante marxista, líder de movimentos históricos da esquerda italiana como o ‘Poder Operário’ e a ‘Autonomia Operária’. Ele é coautor, com Michael Hardt, dos livros “Império”, “Multidão” e “Comum”, dentre outros.

*Com informações do site Outras Palavras, em 22 de agosto de 2023, em formato de entrevista concedida à Roberto Ciccarelli para Il Manifesto, e com tradução de Maurício Ayer.


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