Delação de tenente-coronel Mauro Cid revela que ex-presidente Jair Bolsonaro se reuniu com cúpula militar e avaliou golpe de Estado

Tenente-coronel Mauro Cid, atuou como ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro e se tornou delator.
Tenente-coronel Mauro Cid, atuou como ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro e se tornou delator.

Em uma revelação que tem abalado o cenário político brasileiro, o ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, teria afirmado, em acordo de delação premiada, que o então presidente discutiu a possibilidade de um golpe de Estado com a cúpula das Forças Armadas.

Segundo informações obtidas pelo jornal O Globo, em 2022, Bolsonaro se reuniu com altos comandantes militares e ministros da ala militar de seu governo para debater detalhes de uma minuta que abriria a porta para uma intervenção militar no país, com o intuito de impedir a troca de governo no Brasil.

A notícia, que veio à tona em 21 de setembro, foi recebida como uma verdadeira bomba por interlocutores da base do governo, uma vez que conspirar contra o Estado Democrático de Direito é considerado crime no Brasil. Essa revelação abala a reputação das Forças Armadas, envolvendo-as em uma suposta aventura golpista de Bolsonaro e seus aliados políticos, alguns dos quais ainda mantêm laços com o uniforme, apesar de estarem na reserva após ocuparem cargos de alta patente.

Segundo apurações, o próprio Mauro Cid teria sido um dos presentes em uma reunião onde uma minuta para o golpe teria sido debatida. No entanto, chamou a atenção o fato de o então comandante da Marinha, o almirante Almir Garnier Santos, ter supostamente se mostrado disposto a aderir a um chamado de Bolsonaro, ao contrário do Exército, que teria se recusado a participar do plano.

A repercussão da delação de Mauro Cid levou o ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, a se pronunciar sobre o assunto publicamente. Ele enfatizou que as Forças Armadas não demonstraram interesse em qualquer ação golpista. Monteiro declarou: “Olha, só uma coisa eu tenho absolutamente certa cristalina, é que o golpe não interessou, não interessou em momento nenhum as Forças Armadas. São atitudes isoladas de componentes das forças, mas o Exército, a Marinha e a Aeronáutica, nós devemos a eles a manutenção da nossa democracia.”

A Polícia Federal (PF) está tratando a delação de Mauro Cid com cautela e sigilo, a fim de que as informações fornecidas por ele sirvam como ponto de partida para as investigações. A defesa de Cid, por sua vez, emitiu um comunicado à Globonews, informando que não fará comentários sobre o caso, pois não teve acesso ao depoimento em questão.


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