Especialista em direitos humanos aponta apartheid de gênero no Afeganistão

O Afeganistão enfrenta uma crescente crise de “apartheid de gênero”, conforme apontado por Richard Bennett, relator especial sobre a situação de direitos humanos no país. Bennett expressou sua preocupação durante um diálogo interativo com o Conselho de Direitos Humanos nesta segunda-feira (11/09/2023).

A situação no Afeganistão tem suscitado alarme em todo o mundo devido ao tratamento opressivo e discriminatório das mulheres e meninas. O alto-comissário de Direitos Humanos da ONU, Volker Turk, classificou a opressão das mulheres afegãs como “incomensuravelmente cruel”.

Turk observou que os direitos humanos no Afeganistão estão em colapso, afetando milhões de pessoas. A discriminação sistemática e institucionalizada visa excluir as mulheres de todas as áreas da vida afegã.

Bennett instou o regime Talibã a reverter suas políticas misóginas e draconianas, permitindo que as mulheres trabalhem e administrem empresas. Ele também pediu a reabertura de escolas e universidades com currículos que atendam aos padrões internacionais.

O relator especial lamentou que, mais de dois anos após a ascensão dos talibãs ao poder, as vozes das mulheres tenham desaparecido completamente, resultando em uma crise humanitária e na erosão dos direitos e da dignidade das mulheres e meninas afegãs.

Segundo Bennett, a perseguição de gênero pelo Talibã atingiu níveis sem precedentes de “apartheid de gênero”. Ele exortou o Conselho de Direitos Humanos a tomar medidas decisivas para resolver a crise.

Relatórios recentes revelaram que o Talibã continua a cometer abusos brutais contra ex-funcionários do governo e forças de segurança nacional. Durante debates com Estados-membros, a preocupação com as condições humanitárias, de direitos humanos e socioeconômicas no Afeganistão se intensificou, com ênfase na gravidade da situação das mulheres e meninas.

As violações sistemáticas de direitos humanos, supressão de educação e cultura, detenções arbitrárias e execuções extrajudiciais permanecem impunes, gerando alarme internacional sobre a situação no país.

*Com informações da ONU News.


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